E um feliz Ano Novo pós-moderno para você também

E um feliz Ano Novo pós-moderno para você também

Stuart Parker (Escritor convidado)

Tudo bem. Então, neste mundo pós-verdade, a resolução do seu Ano Novo é tornar-se um pós-modernista, mas você não tem certeza de como proceder? Estou aqui para ajudar.

Agora você pode ficar tentado a se sobrecarregar com Derrida ou tomar uma overdose de Wittgenstein, mas apenas se sente. Tudo isso é divertido, mas é um trabalho árduo e você não quer quebrar essa sua resolução, não é mesmo? Não precisa se preocupar. Aqui estão algumas dicas para você se familiarizar com seus novos tópicos pós–modernos.

Primeiro passo: comece a pensar em termos de metáforas.

No seu livro Metaphors We Live By (As metáforas em que vivemos), Lakoff e Johnson descrevem como as metáforas moldam a maneira como vemos o mundo. Tendemos, por exemplo, a ver ‘positivo’ como positivo, ‘negativo’ como negativo. Mesmo com ‘frente’ versus ‘atrás’, ‘reto’ versus ‘torcido’. O ‘argumento’ é facilmente descrito através da linguagem de guerra. Observe a nossa Câmara dos Comuns e pense em como o parlamento seria diferente se o argumento fosse visto como dança, relacionamento ou amor.

Nós os pós-modernistas apenas damos um passo extra para nos livrarmos do literal completamente. Tudo é metáfora. Para fins específicos, algumas metáforas são mais estáveis ​​do que outras. Aí está o seu literal.

Próximo passo: Ouça mais música.

A música é a mais claramente metafórica das artes. Pensar no ‘significado’ da música o ajudará a enfraquecer o domínio do literal em sua visão de mundo. Pense em como o significado da letra de uma música depende de sua configuração em um contexto de melodia e harmonia. Quantas boas letras de músicas são simplesmente poesia ruim quando arrancadas de suas melodias?

Experimente o famoso jogo ‘I’m Sorry I Haven’t a Clue’ (Sinto mas não tenho a menor ideia), cantando a letra de uma música na melodia de outra. O resultado é geralmente ridículo, e, certamente, envolve uma mudança no significado. Aquela coisa que a música ‘Land of Hope and Glory’ (Terra da esperança e da glória) desperta em você. Isso não é literal. Mas não apenas brinca com seus sentimentos, com a sua imaginação e com o seu senso de identidade; faz isso de uma maneira que é comum a muitas outras pessoas.

Tudo isso é relativo, é claro. Os não britânicos podem perceber algo completamente diferente. Sem problemas. Essa é outra coisa que você se acostumará a adotar como um pós-modernista. Relativismo. Grande momento!

Neste ponto, precisamos esclarecer algo. Os pós-modernistas não valorizam o estilo em detrimento da substância. Ou melhor, sim, mas apenas porque vemos a substância como uma consequência do estilo. Isso pode parecer um pouco estranho no começo. Fui criticado por filósofos realistas da tradição analítica por dizer que o que é realmente ruim sobre os nazistas é que eles ofendem o nosso gosto literário; o nosso senso de estilo narrativo.

Isso é bom. Deixe os analíticos se debaterem com noções absolutas de mal, essência e ética, sustentadas por alguma realidade externa (alerta sobre os estraga prazeres: eles não conseguem). Somos relativistas, certo? Se algo ofende nosso gosto literário, então é suficiente (e podemos justificar a nossa ofensa com letras usando palavras como mal, cruel imoral, para as quais o nosso estilo dará sentido).

Veja como um penteado, roupas ou maquiagem diferentes ajudam a fazer a diferença em como você se sente, como é visto, em sua personalidade e em sua identidade. Ei! Você precisa perder aquela noção de essência central, de um eu essencial. Não há nada a ser descoberto. Você é um pós–modernista agora e tudo é estilo. Esqueça o resto!

Isso é assustador e libertador. Lembre-se, você é um personagem das narrativas de outras pessoas. Identidade não é coisa privada (como você pode ter um estilo particular quando o estilo é sobre ser diferente?) Você não é o árbitro final de si mesmo. Mas você é um jogador. Então, comece a trabalhar no controle das narrativas nas quais você está incorporado.

Já mencionei as narrativas, não? Poderíamos chamá-las ‘textos’. Derrida faz isso. E ele diz que não há nada fora do texto. Tudo o que temos como recurso são as nossas narrativas – os ‘jogos de linguagem’, como Wittgenstein os chamava – e não há mundo independente de texto para arbitrar entre textos rivais. Como poderia haver? Nós nos livramos do literal alguns parágrafos atrás.

Alguns textos combinam-se facilmente. Os romances da Jane Austen poderiam todos coexistir alegremente. Jane Austen e William Borroughs? Bem … Seria um choque, mas é realmente nossa a responsabilidade de criar um estilo favorável; uma metanarrativa (exceto pelo fato de que o abrangente meta papel é ele próprio relativo ao texto …) O ponto é que os textos são feitos pelo homem (há um pouco de falocentrismo derridiano nisso). Eles são um empreendimento humano e cabe a nós, se um estilo é ou não construído de forma a que narrativas irritantes e conflitantes possam ser misturadas suavemente. Ou, pelo menos, coexistirem. Possivelmente, apenas dentro de contextos particulares.

Assim, no Natal, podemos abraçar a verdade da natividade e a verdade do Papai Noel. Nós os pós-modernistas abraçamos as contradições e não temos nenhum problema em aceitar a realidade de cada uma delas. Você só precisa reconhecer que elas são feitas pelo homem e que a realidade deles é relativa aos contextos nos quais são úteis. Sim, como pós-modernista, você rapidamente se acostumará também a ser pragmático.

Alguma lição de política? Bem, eu acho que os conservadores tropeçaram em uma abordagem pós-moderna com seus slogans, na sua reescrita da história e nas suas diversas narrativas patrióticas, desajeitadas porém eficazes. É uma mão na roda se você possui uma máquina de narrativas como, por exemplo, a maior parte da imprensa.

E as mentiras? O pós-modernismo não permite mentiras. As mentiras, assim como a verdade, são relativas ao texto. Não tenho certeza de que tipo de narrativa surreal e cômica tornaria Boris Johnson honesto, mas, bem, você entende.

Quanto ao Partido Trabalhista, tudo o que eu diria é: fique pós-moderno antes que seja tarde demais. Você está pedindo que uma banalizada narrativa pré-histórica dos anos 70 seja imposta a você. Corbyn como estilo? Quão passé. Retome o controle de sua textualidade. Adquira alguma agilidade estilística. Convença-nos com a força da sua criatividade. Lembre-se, é tudo sobre avançar com elegância, e não sobre retornar às bocas de sino! A menos que elas voltem.

Quanto a você, querido leitor, dentro em breve você estará pronto para Derrida. E pra a desconstrução. Feliz Ano Novo. 


Artigo publicado na revista The Article, sábado, 28 de dezembro de 2019. Tradução de Joaquina Pires-O’Brien (UK).

Stuart Parker é um jornalista britânico, ex-professor de filosofia e de educação, e autor do livro Reflective Teaching in the Postmodern World. (O ensino refletivo no mundo pós-moderno).

O Pós-modernismo, incluindo os seus efeitos deletérios no Brasil, é o tema da última edição de PortVitoria, revista da cultura ibérica no mundo, para falantes de português, espanhol e inglês.  Leia e repasse o link.

A idade da desonestidade. O pós-modernismo é errado porque é falso

Jo Pires-O’Brien

Modernidade e a pós-modernidade

A modernidade e a pós-modernidade são concepções diferentes do mundo. Enquanto que a modernidade baseia-se no Iluminismo e nos avanços do racionalismo e da ciência, a pós-modernidade baseia-se na ruptura com o Iluminismo e com o rigor do racionalismo e da ciência. Dentro da concepção da modernidade surgiu a escola linguística estruturalista, que ao ser absorvida por outras disciplinas das humanidades e das ciências sociais gerou uma visão geral do mundo baseada no conhecimento e na realidade, a qual passou a ser chamada de estruturalismo.  Dentro do estruturalismo surgiram dissidências, as quais não lograram criar uma visão explícita que merecesse o nome de escola filosófica, mas mesmo assim passou a identificar-se como pós estruturalismo. A abordagens respectivas da modernidade e da pós-modernidade confundem-se com essas, e por essa razão, modernidade e estruturalismo viraram sinônimos, assim como pós-modernidade e pós-estruturalismo.

Pós-modernismo, descontrucionismo e construtivismo

O pós-modernismo é uma ideologia ambígua e difícil de definir, a não ser pelo seu objetivo de destruir a modernidade e substituí-la pela pós-modernidade marxista. O motivo pelo qual o pós-modernismo é ambíguo é esconder a sua falsidade. É por essa mesma razão que Jordan Peterson descreveu o pós-modernismo como sendo o marxismo com pele nova.

A falsidade do pós-modernismo está tanto no seu método de destruir a civilização ocidental moderna, através da destruição de suas metanarrativas como o Iluminismo, a racionalidade, a ciência, etc., quanto no seu método de falsificar realidades. Esses dois métodos são chamados deconstrucionismo e construtivismo. Os seus respectivos alvos são a modernidade e a pós-modernidade.

Desconstrucionismo é o processo de aviltamento das coisas características do modernismo através do ataque às suas metanarrativas, reduzindo-as a sequências arbitrárias de sinais linguísticos ou palavras, e em seguida substituindo significados originais por outros, para finalmente concluir que nenhuma interpretação dessas sequências de palavras é mais correta que outra.

Construtivismo é o processo de criar abstrações – constructos – através da retórica. Embora existam certos constructos que são normalmente aceitos, como por exemplo, Estado, dinheiro, lei, e identidades nacionais, o construtivismo da doutrina do pós-modernismo é radical, irracional e desonesto, pois baseia-se na premissa de que tudo é uma questão de semântica.

O desconstrucionismo começou no meio da intelectualidade francesa marxista, sendo Jacques Derrida (1930-2004) o pai reconhecido desse movimento.  Inicialmente o desconstrucionismo era uma forma de crítica literária, mas ao ser absorvido pelas humanidades e ciências sociais, passou a ter outras aplicações. Derrida acreditava que o pensamento ocidental foi viciado desde a época de Platão por um tumor que ele chamou de ‘logocentrismo’, referindo-se à suposição de que a linguagem descreve o mundo de maneira bastante transparente. Na visão de Derrida, a descrição do mundo através da linguagem é uma ilusão, e a própria linguagem não é imparcial e as palavras nos impedem de realmente experimentar a realidade diretamente. O que Derrida quer, é derrubar a crença em uma realidade externa objetiva que pode ser explorada através da linguagem, da racionalidade e da ciência, e mostrar que a grande narrativa do Iluminismo não passa de um conjunto de delírios. O método de Derrida para destruir a linguagem é a desconstrução – uma técnica que nos faz ver que os ‘significantes’ – as palavras em si no sistema saussureano – são tão ambíguos e mutáveis que podem significar alguma coisa ou nada.

A ideia original do construtivismo antecede a modernidade, mas o primeiro autor contemporâneo a empregá-la foi o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), para descrever o modo como as crianças criam um modelo mental do mundo. Embora os pós-modernos parecem gostar da ligação com Piaget, o construtivismo piageteano é positivo enquanto que o  construtivismo pós-moderno é negativo. O construtivismo piageteano afirma que o conhecimento é algo construído pelo indivíduo com base em suas interações com o mundo físico e o mundo social. O construtivismo dos pós-modernos afirma o conhecimento é algo socialmente construído. A fim de distinguir o construtivismo pósmodernista do construtivismo piageteano o primeiro passou a ser conhecido como construtivismo social ou socioconstrutivismo.

A que veio o pós-modernismo?

O pós-moderismo veio para fazer a revolução marxista por debaixo do pano.  As suas principais armas são o desconstrucionismo, usado para aviltar o racionalismo e a ciência, e o socioconstrutivismo, usado para criar grupos de identidades políticas e lideranças, através de imagens e figuras de retórica. A estratégia do pós-modernismo e criar subliminarmente uma disposição ou mentalidade pós-moderna, ou um Zeitgeist  pós-moderno.

O objetivo do marxismo era criar uma sociedade ideal, mas tal sociedade ideal só podia existir na prancheta, pois a tentativa de implementá-la gerou tiranias genocidas. O pós-modernismo também rejeita a realidade e anseia por uma realidade idealizada.

Na mentalidade pós-moderna, realidade é aquilo que é falado, e o melhor caminho para ser falado é aparecer na mídia. É daí que veio a obsessão com fama e famosos. A mentalidade pós-moderna anseia por identidades fortes pois são um caminho para o poder.  Entretanto, a identidade genuína do indivíduo, aquela baseada nas habilidades cognitivas e na bagagem cultural do indivíduo, nem sempre é forte, e por essa razão foi abandonada. Na mentalidade pós-moderna, a identidade e definida pela ‘persona’ – “uma espécie de máscara, desenhada com o duplo motivo de conferir uma impressão firme junto aos demais, e ocultar a verdadeira natureza do indivíduo,” conforme mostrada pelo psiquiatra suíço Carl Jung.

Consequências ruins do pós-modernismo

No Zeitgeist da pós-modernidade a autenticidade saiu de moda e as pessoas preocupam-se mais com aparência do que com substância.

No Zeitgeist pós-moderno, a perda da genuinidade do indivíduo veio acompanhada da perda da espontaneidade dos processos sociais, e uma das consequências não intencionadas disso é a diminuição da confiança social, que por sua vez leva a dois erros de julgamento: valoriza quem não merece ser valorizado, e deixar de valorizar quem merece. Tais erros de julgamento equivalem a enormes perdas para a sociedade, em termos de capital humano desperdiçado.

O começo do mundo pós-moderno

O começo do mundo pós-moderno pode ser traçado à década de 1960, quando as fronteiras entre alta e baixa cultura foram esfumadas. Isso permitiu a emergência da Pop Art e o seu assentamento como uma forma de poder popular. Um de seus líderes, Andy Warhol (1928-1987), prognosticou que “no futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos”.

Um dos alvos importantes do pós-modernismo foi o conceito de identidade nacional, que foi esfumado e largado de lado, e substituído pelas novas tribos formadas por grupos de identidade política. Não contente em destruir a identidade nacional, o pós-modernismo destruiu também a identidade civilizacional da América Latina. Muitos latino-americanos tomam por certo que a América Latina faz parte da Civilização Ocidental, uma vez que todos os seus países foram colonizados por europeus. Poucos latinoamericanos notaram que o cientista político Samuel Huntington (1927-2008) optou por listar a América Latina como uma civilização aparte ao invés de incluí-la na Civilização Ocidental, no seu livro Clash of Civilizations (A colisão das civilizações; 1997). A justificativa de Huntington é de que a América Latina não preencheu os critérios a priori para afiliação ao Ocidente. Em termos de identidade nacional, os países latinoamericanos sofrem de uma neurótica dissonância cognitiva formada pelo desejo simultâneo de pertencer à Civilização Ocidental e às suas respectivas culturas indígenas.

Em todo o lugar onde o pós-modernismo se encontra, a sua entrada ocorreu de forma sorrateira. Na América Latina, alojou-se inicialmente nas universidades, principalmente nas humanidades e ciências sociais, e de lá passou para as organizações não governamentais (ONGs) e para os grupos de identidade política.

O socioconstrutivismo

O socioconstrutivismo passou a ser um fenômeno comum na América Latina a partir da década de 1980, quando heróis e heroínas foram artificialmente criados. O método do  socioconstrutivismo consiste de cinco etapas principais: (i) escolher causas simpáticas como a defesa de florestas, de animais, e de grupos oprimidos; (ii) a cooptar lideranças a partir de bases conhecidas; (iii) aumentar os perfis dessas lideranças, persuadindo jornalistas a publicar matérias sobre as mesmas; (iv) indicar as lideranças escolhidas para participar de organizações de doadores de recursos; e (v) indicar as lideranças escolhidas para prêmios disponíveis e fazer lobby a favor das mesmas junto às instituições premiadoras.

A escolha da causa requer cuidado e atenção. Por exemplo, no caso de uma ONG ligada à causa dos indígenas, as tribos mais coloridas e que ainda praticam suas danças e cerimônias são mais promissores que aquelas que são menos coloridas e mais aculturadas. Uma vez escolhida a causa, o próximo passo é escolher os indivíduos mais promissores em termos de aparência e maleabilidade para serem promovidos junto à mídia.

As maquinações de bastidores para construir lideranças e para atrair o interesse de jornalistas são aéticas, o que gera o perigo de whistle blowers ou denunciantes, que não aceitam que um objetivo nobre justifica mentiras e meias verdades. Entretanto, o socioconstrutivismo tem uma capa de proteção contra denunciantes, fazendo com que qualquer crítica à administração financeira da ONG ou às suas mentiras e meias verdades sejam percebidas como um ataque vil à própria causa, isto é, ao grupo oprimido, à floresta, ou ao animal carismático, fazendo com que o crítico seja taxado de racista e coisas piores.

Um dos poucos exemplos que chegou a ser noticiado na imprensa internacional foi a história da jovem guatemalteca Rigoberta Menchú, que foi transformada numa heroína de sua tribo e que em 1992 ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Entretanto, quando o antropólogo David Stoll decidiu avaliar o mérito de Menchú, descobriu que a sua narrativa do genocídio do seu povo, no início da década de 1980, no livro autobiográfico I, Rigoberta Menchú (Verso, 1984), estava repleto de inconsistências e até mentiras, e que o mesmo livro, editado com a ajuda de diversas pessoas, tinha uma agenda, de ajudar a guerrilha à qual Menchú havia se juntado em 1981. Stoll publicou os seus achados no livro Rigoberta Menchú and the Story of All Poor Guatemalans (1999), mas a verdade que expôs foi ignorada e ele próprio acabou taxado de inimigo dos indígenas.  O que aconteceu a David Stoll passou a desencorajar qualquer denúncia semelhante. Foi uma evidência da capa de proteção do sociocontrutivismo, análoga à dos vírus.

As pessoas ordinárias, que subentendem aquilo que é conhecido como o público, têm o dever de manter-se atentas ao que acontece a seu redor. A pergunta que devem fazer é “o socioconstrutivsmo é bom para quem?”

i) O socioconstrutivsmo é bom para os indivíduos oprimidos a quem defendem?

O paternalismo do sociocontrutivismo faz com que o indivíduo oprimido continue oprimido, pois tira-lhe as chances de ser ele próprio, e de crescer e amadurecer.

ii) O socioconstrutivsmo é bom para a sociedade?

 Mentiras e meias verdades corroem a confiança dentro da sociedade, gerando uma sociedade de baixa confiança, a qual é extremamente desfavorável ao desenvolvimento econômico.

iii) Quem ganha com o socioconstrutivsmo?

Quem ganha com o socioconstrutivismo são os próprios sócioconstrutivistas, que ganham os ouvidos das autoridades e espaços nos círculos do poder.

Conclusão

O pós-modernismo é o próprio marxismo com outra pele. Os dois empregam a mesma linguagem de ressentimento, raiva e inveja. Enquanto que o marxismo tradicional exaltava a destruição do capitalismo que ocorreria em decorrência da revolução socialista, o pós-modernismo (ou neomarxismo), planejou e fez a sua revolução na surdina. A revolução do pós-modernismo foi um sucesso e a prova disso é que a própria civilização Ocidental é a sua prisioneira. O Zeitgeist pós-moderno onde vivemos pode ser descrito pelo relativismo cultural, o aviltamento da sociedade maior através de sua fragmentação em grupos de identidade políticas, a falta de genuinidade e espontaneidade, e as fabricações. As suas armas mais potentes, o desconstrucionismo e o socioconstrutivismo, servem às suas lideranças, que fingem servir às mais diversas causas sociais. A sociedade não ganhou nada com o pós-modernismo, mas perdeu muita coisa, desde a genuinidade das pessoas e a própria espontaneidade, até a confiança entre os seus cidadãos.  O pós-modernismo é errado por diversos motivos, mas o principal deles é a falsidade.


Jo Pires-O’Brien é brasileira e reside na Inglaterra. Desde 2010 é editora da revista cultural PortVitoria, dedicada à cultura ibérica no mundo, com conteúdo em português, espanhol e inglês. Acessar: www.portvtoria.com

Reseña del libro de Joaquina Pires-O’Brien, El hombre razonable y otros ensayos (Port-Vitoria, 2016)

Fernando R. Genovés

El título del libro que tengo el gusto de reseñar en las líneas que siguen, en su aparente y genérica convencionalidad, denota una gran precisión. Según leemos en la misma portada, se trata de una colección de ensayos. Y ensayos contiene, en efecto, en su sentido más estricto. ¿Normal? Sí, mas no habitual. Se dirá caso de esta acotación que es una obviedad más. Obvio sí, mas no usual. He aquí la cuestión.

Ocurre que el pensamiento concentrado en el ensayo se caracteriza, según tradición, por reparar (en) aquellos usos erróneos y creencias ordinarias que suelen aceptarse como evidentes —y aun repetirse, una y otra vez—, sin pasar por la prueba del examen crítico y la reflexión ponderada. Sucede que la opinión común (la vox populi) da por hecho aquello que, antes de ser deglutido, necesita ser intelectualmente triturado. Nos hallamos, en fin, en un contexto dominado por el relativismo ramplón y la mixtura de géneros literarios, la intertextualidad de salón y el multiculturalismo de callejón, en el cual una narración en prosa vertida en un papel o en un archivo electrónico de textos recibe, sin más, el diploma de «ensayo», sin distinguirlo de un relato, un crónica periodística, una fábula o un cuento. O al contrario…

Rasgo identificador del ensayo es también que afronta y examina asuntos particulares (e incluso personales) y de actualidad para, a continuación, ser elevados a la categoría de universales. ¿Sobre qué trata El hombre razonable y otros ensayos? Léase los primeros párrafos del Prefacio:

«Algunos de los temas atemporales abordados son la “gran conversación”, la utopía, la educación liberal, la libertad, el totalitarismo y el contrato social, mientras que las “dos culturas”, el instinto de la masa, la guerra de las culturas, el postmodernismo, la creencia religiosa, el jihad islámico y el 9/11 son algunos de los temas contemporáneos abordados. Cuatro grandes pensadores del siglo XX fueron objeto de ensayos específicos: Friedrich Hayek, Elias Canetti, Stefan Zweig y George Orwell. El repertorio de los temas abordados ya es bien conocido en los países situados en el centro de la Civilización Occidental pero no en los países de la periferia. La presente recopilación tiene por objetivo contribuir a corregir esa distorsión.»

Atemporalidad, contemporaneidad y propósito de universalidad, empeño por corregir malentendidos y falsas creencias. ¿Puede alguien negarle corrección a la presente empresa intelectual? Y, con todo, si a alguien le quedan dudas acerca de la exploración de ideas que se propone en las páginas siguientes, sólo le invito a recorrerlas.

El hombre razonable y otros ensayos ha sido compuesto según cabal criterio y sagaz selección, como demuestra el listado de la cita previa. Un acierto acreditado en la misma elección del ensayo que lo titula, encabeza y sirve de guía al mismo. El hombre se ve abocado a aventurarse en una selva oscura y tenebrosa en el momento en que desaprovecha o desatiende la llamada civilizadora de la razonabilidad, el principio de actuar como un ser racional y justo, prudente e íntegro, sensato y honesto. He aquí un horizonte de conducta nada extraordinario, excepcional o superlativo; de lo contrario, no hablaríamos de un ser y un quehacer razonables. Sus rasgos son factibles y depende tan sólo de la voluntad y el coraje de cada cual. ¿Cómo es ello posible?: «Dejar de ser rebaño y recuperar nuestra individualidad es un buen comienzo. Después, es vivir el aquí y ahora de la mejor manera posible.»

Joaquina Pires-O’Brien, autora del libro objeto de la presente reseña, acierta al relacionar aspectos de su vida personal y cotidiana con la meditación y análisis a propósito de determinados asuntos tratados. Demuestra así tener bien aprendida la lección sobre el sentido y fin del ensayo, sintetizados en la siguiente declaración del principal inspirador del ensayo moderno, Michel de Montaigne: «Yo soy el tema de mi libro».

No se confunda esto con un volumen de memorias. Los textos ofrecidos en los ensayos tienen que ver con la vida, porque son vitales, porque no se pierden en especulaciones ni circunloquios (tampoco en meras anécdotas), sino que nos hablan sobre aquellas cuestiones (sean intemporales, sean contemporáneas) que nos ocupan y nos preocupan. Y no para hacer de ellas una crónica, sino una indagación.

La condición profesional de la autora, concentradas en tareas de traducción y edición (está al frente del magazine PortVitoria) favorece en gran manera tal empeño. El lector encontrará así un permanente interés por esclarecer al máximo la significación de los conceptos abordados, así como una constante atención por dilucidar las más variadas cuestiones desde una óptica didáctica y un discurso comprensible. Es decir, razonables.


Publicado por Fernando R. Genovés     en 11:23: http://fernandorgenoves.blogspot.co.uk/2016/11/el-hombre-razonable-y-otros-ensayos.html Etiquetas: CRITICA DE LIBROS

Fernando Rodríguez Genovés es escritor, ensayista, crítico literario y analista cinematográfico. Doctor en Filosofía. Profesor funcionario de carrera en excedencia voluntaria, se ocupa en la actualidad, con dedicación profesional exclusiva, a escribir. Premio Juan Gil-Albert de Ensayo, Ciudad de Valencia, 1999. Colaborador en medios de comunicación: ABC, Las Provincias, Libertad Digital, Factual. Creador y mantenedor de la sección «La buhardilla» en la revista El Catoblepas. Autor, hasta la fecha, de trece libros, así como de varios centenares de artículos y reseñas en revistas especializadas. Su línea de investigación y sus trabajos están relacionados preferentemente con el ámbito de la filosofía moral y política.

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