Adeus, Roger Scruton

Adeus, Roger Scruton

Joaquina Pires-O’Brien

Foi com muita tristeza que soube da morte do filósofo Roger Scruton, em 12 de janeiro de 2020, aos 75 anos.

Scruton foi desprezado em seu próprio país por expor as loucuras e falácias dos semideuses da esquerda, como Foucault, Derrrida, Althusser e Gramisci. Apesar de todas as dificuldades que teve que lidar, ele conseguiu obter ‘a vida bela’, que é a marca de todos os verdadeiros filósofos. Que a sua vida sirva como um aviso para todas as sociedades, de quão fácil é julgar mal as pessoas, elevando os indignos e desprezando os que têm mérito. A calamidade do pós-modernismo exacerbou consideravelmente esse erro de julgamento.

Tive a honra de conhecer Scruton em 2012 em Londres, durante a seção de assinatura de livros que ocorreu após um debate entre ele e o teórico e crítico literário Terry Eagleton, promovido pela Intelligence Squared. Depois de me apresentar brevemente, eu disse a ele que havia criado uma revista chamada PortVitoria, de direcionamento liberal clássico, para falantes de português e espanhol. Falei que gostaria de traduzir alguns dos seus ensaios para republicá-los em PortVitoria, e, que ali havia publicado a resenha do seu livro Green Philosophy: How to think seriously about the planet (A Filosofia Verde: Como pensar seriamente sobre o planeta). Quando expliquei que o PortVitoria era uma revista iniciante e ainda desconhecida, ele me tranquilizou dizendo que também havia editado uma revista que tinha apenas uns mil e duzentos assinantes. Ele se referia à The Salisbury Review, uma revista trimestral de pensamento conservador, fundada em 1982, da qual ele havia sido o editor-chefe por 18 anos. Embora The Salisbury Review tenha uma edição digital (https://www.salisburyreview.com/), a edição original, em papel, sobrevive até hoje. Fiquei muito feliz quando ele me disse que eu poderia traduzir o seu ensaio ‘The Green and the Blue’ para o português e o espanhol, para publicar em PortVitoria. Guardo com carinho o meu exemplar assinado do livro The Face of God (2012), onde escreveu: “To Jo, with best wishes”.  Adeus, grande filósofo.

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