O que é Humanismo?

“Um sistema de pensamento racionalista que atribui importância primordial ao humano ao invés do divino ou das questões supernaturais.” (Oxford English Dictionary)

“A rejeição da religião a favor do progresso da humanidade pelos seus próprios esforços.” (Collins Concise Dictionary)

“…uma filosofia não religiosa, baseada em valores humanos liberais.” (Little Oxford Dictionary)

“…a busca, sem a religião, do melhor nos seres humanos, e para os mesmos.” (Chambers Pocket Dictionary)

“…um apelo à razão em contraposição à revelação ou autoridade religiosa como um meio de descobrir o mundo natural e o destino do homem, fornecendo ainda um alicerce para a moralidade… A ética humanista é também distinguível pela colocação do fim da ação moral no bem-estar da humanidade ao invés de no cumprimento da vontade de Deus.” (Oxford Companion to Philosophy)

Diferentemente dos religionários, os humanistas não têm fé. Ter ‘fé’ significa ter uma forte crença em algo sem prova. Os humanistas são essencialmente céticos. Enquanto as pessoas religiosas podem oferecer respostas supernaturais a das questões fundamentais acerca da vida, do universo, e de todas as coisas, os humanistas preferimos deixar um ponto de interrogação. Os humanistas são ateístas (o que significa ‘sem deus’), ou agnósticos (um termo criado no século XIX pelo biólogo Thomas Henry Huxley, para designar ‘sem conhecimento’, pois Huxley afirmou uma vez que ninguém pode provar ou desprovar a existência de Deus).

Os humanistas rejeitam a noção da pós-vida; nós achamos que essa vida é a única que temos, e que precisamos aproveitá-la ao máximo.

Os humanistas não têm o equivalente da Bíblia ou do Corão, ou um livro de regras para guiar-nos pela vida, embora nós podemos nos referir às grandes obras da história, da filosofia e da literatura. Não é necessário ter lido a história das ideias humanistas, mas a maioria dos humanistas, que é formada por pessoas curiosas e inquisitivas, irá investigar as ideias que nos interessam.

Podemos traçar as influências humanistas a mais de 2.500 anos atrás, ao sábio chinês Confucius e aos filósofos, cientistas e poetas da antiguidade. Um deles foi o filósofo grego Epicuro, que, partindo do princípio de Aristóteles de que a felicidade humana depende da boa conduta, definida como ter uma vida boa, de prazeres e amizades, ausência de dor e paz na mente. Os seus discípulos incluíam mulheres e escravos, algo que na época era quase impensável. Epicuro afirmou, “De todos os fins pelos quais a sabedoria traz felicidade na vida, de longe o mais importante é ter amizades”.

Por muitos séculos, não era seguro expressar abertamente pontos de vista não ortodoxos acerca da religião, mas o surgimento da Idade da Razão e do Iluminismo, nos séculos XVII e XXVIII, gradualmente permitiu que isso se tornasse possível, embora com cautela. Algumas pessoas descreveram-se como sendo ‘racionalistas’, ‘secularistas’ ou ‘livre pensadores’, termos que ainda são empregados pelos humanistas de hoje.

Charles Darwin, cuja teoria da evolução causou um enorme impacto na nossa compreensão acerca de onde viemos, foi uma forte influência no humanismo. A cientista Marie Curie, a feminista do século XVIII Mary Wollstonecraft, os autores Thomas Hardy e George Eliot, o Primeiro Ministro da Índia independente, Jawaharlal Nehru, e o criador americano do seriado de TV Star Trek, Gene Roddenberry, são apenas algumas das pessoas influentes que viveram pelos princípios humanistas.

O professor Richard Dawkins, um incansável advogado do secularismo, afirmou, “Eu cheguei às minhas crenças, como todo mundo devia fazer, pelo exame das evidências”. Muitos humanistas resolveram as suas próprias crenças e se encantam ao descobrir que outras pessoas chegaram a conclusões semelhantes. Porque somos pensadores independentes, os humanistas discordamos acerca de muitas coisas, mas a maioria de nós concorda com alguns princípios básicos. Nós acreditamos que devemos assumir a responsabilidade pelo nosso comportamento e pela maneira como o mesmo afeta as outras pessoas e o mundo onde vivemos. Porque nós acreditamos que essa é a única vida que nós temos, nós acreditamos que é importante tentar viver uma vida plena e feliz, e ajudar os outros a fazer o mesmo.

Os humanistas estiveram envolvidos na criação das Nações Unidas; nós valorizamos os direitos humanos, a liberdade de comunicação, a liberdade do medo, da carência e do sofrimento, e uma educação livre de preconceitos e da influência das poderosas organizações religiosas ou políticas.

No seu livro ‘Humanism, an introduction’ (Humanismo, uma introdução), Jim Herrick escreveu, “O humanismo é a mais humana filosofia de vida. A sua ênfase é no humano, no aqui e agora, o humanitarismo. Não se trata de uma religião e não possui nenhum credo formal, embora os humanistas tenham crenças. Os humanistas são ateístas ou agnóstico e não esperam uma pós-vida. É essencial para o humanismo trazer valores e significação à vida”.

Em 1996, a Assembleia Geral da União Humanista & Ética Internacional (IHEU) adotou a seguinte resolução. Qualquer organização que desejar tornar-se um membro da IHEU é doravante obrigada a validar a sua aceitação da declaração abaixo:

O humanismo é uma postura de vida democrática e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e de moldar suas próprias vidas. Significa ser a favor da construção de uma sociedade mais humanitária através de uma ética baseada em valores humanos e outros valores naturais à luz da razão e da livre inquirição através das capacitações humanas. Não é teísta, e não aceita visões supernaturais da realidade.

Nota: Fonte: http://suffolkhands.org.uk/humanism/, 27.09.2017. Tradução: Joaquina Pires-O’Brien (UK).

PS. A autora edita a revista digital PortVitoria, centrada na cultura ibérica no mundo.

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