Um resumo da vida de Júlio César (100–44 a.C.)

Nascido em Roma em 12 de julho de 100 a.C. numa família remediada da antiga aristocracia, Júlio César, ou Gaius Julius Caesar, cresceu numa época marcada pela corrupção política e pelo desemprego. A aspiração de seu pai era que César obtivesse alguma colocação modesta no governo mas César precisou criar o próprio caminho uma vez que o seu pai faleceu quando ele tinha apenas quinze anos de idade. Percebendo o jogo de poder de Roma César decidiu fazer casamentos vantajosos, cultivar amizades e a zelar pela boa imagem de si próprio. Aos dezoito anos de idade ele casou-se com Cornelia Cinnilla, de treze anos de idade, filha do cônsul Lucius Cornelius Cinna.

Como punição por ter feito amizades com desafetos do atual governo, aos dezenove anos César foi mandado servir no exército. Entretanto, ele soubre tirar o melhor proveito possível dessa punição, conseguindo ganhar o posto de assessor militar junto a um governador de província. Ao término do período de serviço César achou que ainda não era a hora de voltar a Roma, e resolveu permanecer no sul da Itália, onde ocupou-se em estudar retórica e aprimorar a sua educação. Em 68 a.C. a esposa de César, Cornelia, morreu de parto, deixando-lhe a sua filha Júlia.

Eventualmente César retornou a Roma onde logo conseguiu ser nomeado para o cargo de questor (quaestor, magistrado encarregado de funções financeiras) na Espanha (Hispania), onde ficou por alguns anos, retornando depois a Roma, onde ele ocupou-se em ganhar o apoio junto à pessoas de todas as classes. No ano 60 a.C. César foi mandado de novo para a Espanha, dessa vez no cargo de pretor (praetor, magistrado que administrava justiça; o termo foi mudado posteriormente para cônsul). Na Espanha ele conseguiu acertar os seus problemas financeiros. Quando César retornou a Roma em 59 a.C. ele já tinha a fama de ser um líder capaz e era altamente popular.

César cultivou a companhia de Pompeu o Grande (Gnaeus Pompeus Magnus), que tornou-se seu genro ao se casar com sua filha Júlia, bem como de Crasso (Marcus Licinius Crassus), o homem mais rico de Roma, que virou o patrocinador de suas campanhas políticas. No final de 60 a.C., César, Pompeu e Crassus fizeram um pacto secreto designado posteriormente de Triunvirato, onde cada qual administraria uma parte do Império.

Em 59 a.C. César foi nomeado cônsul da Gália Cisalpina (Ilíria) e pouco tempo depois da Gália Transalpina, devido à morte do incumbente desta, com um mandato que se estendia até fevereiro de 54 a.C. Ainda em 59 a.C. César casou-se com sua terceira esposa, Calpurnia Pisonis, filha de Lucius Calpurnius Piso, ou Lucius Cornelius Cinna, o qual ele ajudou a se eleger cônsul em 58 a.C. Durante o seu mantato na Gália César juntou dez legiões de cerca de 50.000 soldados e um grupo de 10 a 20 mil aliados, escravos e seguidores. Na Gália César derrotou a tribo dos helvécios, bem como diversas outras germânicas, anexando uma gigantesca região que se estendia até a margem esquerda do Reno.

Apesar da existência do pacto (o Triunvirato) César e Crasso tiveram graves desentendimentos com Pompeu e César rompeu de vez com este depois que a sua filha Júlia morreu de parto em 54 a.C. Depois da morte de Crasso em 53 a.C. César perdeu seu grande aliado e ficou à mercê das tramas de Pompeu junto à elite (optimate) de Roma.

Em janeiro do ano 49 a.C. Júlio César decidiu desobedecer as ordens do Senado e atravessar o Rubicão (rio que separa a Gália Cisalpina da Itália). Ao entrar em Roma acompanhado das suas tropas César foi aclamado pelo povo e Pompeu viu-se obrigado a fugir. No final de 48 a.C. César perseguiu Pompeu até o Egito, onde este último foi morto. Enquanto estava no Egito César se aliou à Cleópatra VII tornando-se seu amante. Dessa união resultou um filho de César, que foi chamado Cesário (Caesarion).

Quando Júlio César retornou a Roma ele foi recebido com grandes honras e em 47 a.C. ele foi apontado ‘tirano’1. César mostrou-se como um ditador benevolente ao perdoar os antigos oponentes e convidá-los para fazer parte do seu governo. César iniciou uma reforma profunda do Senado, e ocupou-se em ajustar as contas públicas e a reorganizar os governos das províncias. A sua popularidade cresceu ainda mais depois que ele distribuiu terras aos soldados e melhorou o nível de vida de muitas pessoas comuns. O Senado conferiu-lhe muitos títulos honoríficos, aprovou a colocação da sua efígie nas moedas do império, e em 14 de fevereiro de 44 a.C. conferiu a ele o título de ‘ditador vitalício’. Esta última honraria foi a gota d’água para os inimigos de César, que fizeram uma conspiração para assassiná-lo a fim de salvar a República de Roma.

O líder iniciador da conspiração contra César era o Senador Cassius (Gaius Cassius Longinus), que era casado com Junia Tertia, irmã de Brutus2 (Marcus Junius Brutos Minor), a quem César tratava como filho. Tanto Cassius quanto Brutus haviam sido perdoados por César e deviam a César os cargos que tinham. Cassius persuadiu Brutus a se juntar à conspiração contra César lembrando a Brutus que era descendente de um dos heróis romanos que haviam derrotado os antigos reis da região a fim de criar a República, e que esta estava em perigo devido às aspiração de César de ser rei, evidenciada pelo fato de César ser amante de Cleópatra, uma rainha. A data escolhida para o assassinato de Júlio César foi o ides de março, dia 15, pois Júlio César havia planejado viajar no dia 18 de Março para uma campanha militar no atual Iraque.

No idos de março de 44 a.C. Júlio César resolveu comparecer ao fórum do Senado a despeito das premonições de sua esposa Calpurnia. Logo na entrada Júlio César foi abordado por um homem pedindo para falar com ele, e em seguida, ele foi cercado pelos conspiradores que o assassinaram com 23 punhaladas.

    1. O regulamento Senado Romano permitia a nomeação de ‘tiranos’ (ditadores) em caráter excepcional, como durante crises graves. Leia a minha postagem ‘Um Resumo da República Romana’.
    2. Brutus (85-42 a.C.) era filho de Servilia e Marcus Junius Brutus. Depois que o seu pai foi morto por Pompeu em 77 a.C., Brutus foi primeiramente adotado pelo tio Quintus Servilius Caepio, quando ele trocou de nome, e depois por outro tio, Marcus Porcius Cato Uticensis (o filósofo Cato o Jovem), meio-irmão de sua mãe, Servilia. Devido ao fato de Servilha ter sido uma das amantes de César alguns historiadores acreditam que Brutus era filho natural de César.

***
Check out PortVitoria, a biannual digital magazine of current affairs, culture and politics centered on the Iberian culture and its diaspora.

PortVitoria offers informed opinion on topics of interest to the Luso-Hispanic world. Its content appears in Portuguese, Spanish &/or English.

Help PortVitoria to continue by putting a link to it in your Facebook or blog.

Anúncios

Um comentário sobre “Um resumo da vida de Júlio César (100–44 a.C.)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s