Júlio Cesar e a destruição da biblioteca de Alexandria

A destruição da biblioteca da Alexandria foi atribuído por Plutarco a um incêndio causado por Júlio César. Segundo a narrativa de Plutarco, no ano 48 a.C., Júlio César perseguia Sextus Pompei (filho de Pompeu) no Egito quando de repente ele foi cortado por uma armada egípcia em Alexandria. Ao ver-se em perigo em território inimigo César ordenou a seus homens que incendiassem todos os navios ancorados e o incêndio no cais invadiu a cidade e incendiou a biblioteca.

A versão de Plutarco foi contestada pelo historiador romano Lucano, conforme mostrou Theodore Venettos no seu livro Alexandria (2001). Na versão de Lucano descrita por Venettos, Júlio César foi de fato para o Egito perseguindo Pompeu, assim que chegou lá Júlio César chegou no Egito ele foi informado da morte de Pompeu, e portanto, não tinha nenhum motivo para incendiar os barcos egípcios. Além disso, Ptolomeu XII havia morrido, os seus filhos – incluindo Cleópatra – brigavam entre si pelo trono do Egito, e tudo o que Júlio César queria era chegar aos palácios reais da Alexandria. A fim de facilitar a passagem dos galeões romanos que traziam a 37ª legião da Ásia Menor para o Egito, Júlio César mandou incendiar a frota egípcia ancorada em Lochias. Diversas estruturas perto das docas foram incendiadas e suas mercadorias destruídas, incluindo alguns milhares de livros que se encontravam num dos prédios. Eis a citação de Venettos:

‘Deste incidente, os historiadores erroneamente assumiram que a Grande Biblioteca havia sido destruída, mas a Biblioteca não ficava nem um pouco perto das docas. O historiador romano Lucano reportou que César cercou o palácio, ordenou que tochas fossem encharcadas de piche e lançadas nas embarcações egípcias. O fogo imediatamente se espalhou para os cordames e as docas, que eram pintadas de piche. Devorada pelas chamas, enquanto o incêndio se alastrava para o restante das embarcações. As casas perto das docas também pegaram fogo; e as chamas, levadas por rajadas de vento, riscaram o céu como meteoros sobre os telhados. O maior dano ocorreu na área das docas, em estaleiros, arsenais, e armazéns onde grãos e livros se achavam armazenados. Cerca de quarenta mil rolos foram destruídos pelo incêndio. Não havia nenhuma conexão com a Grande Biblioteca, eram livros de contabilidade e livros-razão contendo registros das mercadorias a serem despachadas para Roma e outras cidades do mundo’ (Venetos 2001).

Não é difícil entender porque a acusação incorreta a Júlio César pegou e demorou a ser corrigida. O viés do ódio simplesmente impediu a verdade de emergir. Júlio César era odiado pelos intelectuais da época pelo seu populismo, arrogância e hipocrisia, enquanto que os povos conquistados odiavam o imperialismo romano e os romanos de maneira geral.
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Joaquina Pires-O’Brien é a editora da revista eletrônica bianual PortVitoria, dedicada à comunidade mundial de falantes de português, espanhol e inglês:

Referência
Venettos, Theodore (2001). Alexandria. City of Western Mind. The Free Press. New York. 247 pp.

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