O universalismo na Filosofia

Universalismo vem de universal, que vem de universo, que significa o cosmos ou o mundo todo. Na filosofia, o universalismo, também conhecido como cospopolitanismo, é uma tentativa de resolver o problema filosófico do ‘um e outros’ que aparece na ética, na teologia, na epistemologia e na política.
Immanuel Kant (1724-1804) levou o universalismo ao seu ponto mais longe, analisando-o pelos ângulos da epistemologia e da política. Na filosofia Kantiana o universalismo epistemológico tem a ver com a unidade cósmica das coisas, e o universalismo político com a comunidade de nações que ele propôs com o objetivo de substituir o nacionalismo, cujo objetivo final era ganhar o consenso e a paz universal. Para Kant, esses dois universalismos estão interligados no progresso científico que predispôs a humanidade à uma cultura mundial voltada à preservação da paz universal.

O Universalismo Político ou Cosmopolitanismo
Os estoicos dos séculos um e dois da era corrente foram um dos primeiros a prever um cosmopolitanismo com base na cultura romana. O universalismo político como o de Kant contraria o problema filosófico do ‘um e os outros’, pois defende a substituição dos países soberanos por uma comunidade supranacional. Kant desenvolveu-o inspirado pelo breve período de paz que sucedeu ao Tratado de Basel, entre a Prússia e a França, assinado em 1785. Nesse mesmo ano, ele publicou o ensaio Paz Perpétua, onde descreveu o mundo evoluindo em direção a uma sociedade ideal que seria uma federação mundial de Estados Repúblicas, que geraria a cidadania global, que a seu ver era o caminho para a paz perpétua da humanidade. Na sociedade ideal de Kant, a razão ‘uniria todos os legisladores permitindo que criassem as leis como se tivessem brotado da vontade unida do povo, considerando ao mesmo tempo o desejo de cada indivíduo de participar como cidadão e sua conformidade à vontade geral. Poucos anos após o tratado de Basel a Europa se viu assolada pelas guerras e o ‘universalismo’ político de Kant entrou para o rol das utopias.
Embora o universalismo (cosmopolitanismo) Kantiano fosse considerado uma utopia, Kant conseguiu colocar em evidência diversos aspectos da política que continuaram a ser estudados, como a noção de que a política depende das unidades geográficas dos países, e os países evocam sentimentos nacionalistas nos seus cidadãos. O nacionalismo é sempre um perigo à paz pois coloca em evidência o problema do um e os outros.
Quando a Primeira Guerra Mundial começou, os líderes da revolução Marxista na Rússia viram nela uma oportunidade de criar a comunidade internacionalista prevista por Marx. Entretanto, eles subestimaram a força do sentimento nacionalista e se surpreenderam quando a maior parte dos adeptos russos da revolução Marxista optou por apoiar seu país contra o atacante inimigo.

O Universalismo Epistemológico
O universalismo epistemológico refere-se à outra ideia de Kant de que todo o conhecimento acumulado forma um único corpus, governado por um único critério universal. Em A Crítica da Razão Pura, Kant explicou o sistema de ideias que integram a verdade e que seria caracterizado pela coerência e pela estabilidade. Kant explicou ainda que a experiência ordenadora do mundo era uma só e portanto, todas as áreas do conhecimento estão interligadas. Essa ideia está contida na seguinte frase Kant sobre os estágios da ordem do mundo: ‘a sensação é o estímulo desorganizado, a percepção é a sensação organizada, a concepção é a percepção organizada, a ciência é o conhecimento organizado e a sabedoria é a vida organizada: cada um representando um grau de ordenação, sequência e unidade’.
Georg Hegel (1770-1831) também abraçou o universalismo epistemológico aceitando as inter-relações entre a ética, a estética e o conhecimento. Hegel mostrou que o conhecimento, embora seja limitado, ganha um toque de infinidade através da ideia maior que ajuda a esclarecer. De acordo com o universalismo Hegeliano ‘as leis da lógica e as leis da natureza são uma unidade, pois a lógica e a metafísica se fundem’. Foi nesse contexto que Hegel propôs a sua famosa dialética envolvendo o processo tríplice da tese, antítese e síntese – que Karl Marx (1818-83) mais tarde adaptaria para gerar a sua profecia socialista.

Conclusão
O universalismo político de Kant apontou o caminho para a criação da Liga das Nações, e mais tarde, da Organização das Nações Unidas e da Declaração Universal de Direitos Humanos. O universalismo de Kant e de Hegel impulsionou os esforços para a compilação de uma enciclopédia universal ao estressar a necessidade de salvaguardar o conhecimento existente para facilitar o seu acréscimo pelas gerações futuras de cientistas.

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