Os quatro ídolos da ignorância

Segundo o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) existem quatro grandes ‘ídolos’ que promovem a ignorância e impedem a razão. São eles:

(i) Os ídolos da tribo. São representados pelos os erros causados pela tendência natural das pessoas de buscar evidência para aquilo que já acreditam ser a verdade. Por exemplo, a suposição de que existe mais ordem e regularidade na natureza do que ocorre na realidade fêz com que se pensasse por muito tempo que as órbitas dos planetas eram circulares ao invés de elípticas.

(ii) Os ídolos da caverna. Bacon usou a caverna como um símbolo do meio onde o indivíduo vive, aproveitando a alegoria da caverna de Platão. Os ídolos da caverna são os preconceitos e os precondicionamentos que cada pessoa tem devidos ao seu distinto ambiente físico e intelectual. Em outras palavras, todos os indivíduos possuem trejeitos próprios, sendo uns mais analíticos e outros mais sintéticos; os indivíduos analíticos costumam enxergar diferenças enquanto que os indivíduos sintéticos costumam enxergam semelhanças. Apenas alguns poucos indivíduos privilegiados situam-se numa posição neutra.

(iii) Os ídolos do mercado. Tais ídolos são representados pelos desentendimentos de linguagem e as mentiras inerentes à atividade do comércio que induzem ao erro.

(iv) Os ídolos do teatro. Para Bacon os ídolos do teatro são os dogmatismos e preconceitos repassados através dos sofismas embutidos nos sistemas do sistema tradicional de conhecimento incluindo a filosofia. Bacon via os temas filosóficos como equivalentes a peças teatrais, cada qual representando concepções diferentes das sociedades, uma vez que cada filósofo apresenta a sua concepção própria do mundo e não o mundo real.

Bacon antecipou o moderno método científico quando reconheceu que o avanço do conhecimento começa com dúvidas e não com certezas. Os ídolos da ignorância que ele identificou induzem as pessoas a agarrar falsidades como se fossem certezas, impedindo-as de fazer perguntas. Tais ídolos continuam no século vinte e um. É preciso que aprendamos a identificá-los e caçá-los sem trégua.


Joaquina Pires-O’Brien é editora da revista PortVitoria dedicada à comunidade mundial de falantes de espanhol e português: http://www.portvitoria.com

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