Adaptabilidade. Como largar um sonho de vida

Christian Jarrett

Emma Garber começou a dançar aos três anos. Quando ela era adolescente – após anos de treinamento dedicado, exaustivo e às vezes doloroso –, sua ambição ardente era se tornar uma bailarina profissional. “Acho que por volta dos 14 anos, sentei com meus pais e disse: é isso que eu quero fazer da minha vida. É isso que me deixa feliz”, diz ela.

Todos nós temos sonhos e esperanças para o nosso futuro. Frequentemente, estão focados na carreira, mas nem sempre. Algumas pessoas sonham em constituir família ou morar em outro país, por exemplo. Nossos sonhos fazem parte da nossa identidade, nos dando propósito e direção. Isto é, até que a realidade atrapalhe, como tantas vezes acontece: a mudança pode vir de dentro de nós, conforme nossa paixão diminui, ou os obstáculos para a realização do sonho podem se tornar intransponíveis (ou uma mistura dos dois).

O sonho de Garber começou a desaparecer em meio ao esgotamento e às dúvidas durante seu primeiro ano na Universidade de Massachusetts. Depois de uma aula de dança particularmente terrível, ela lembra: “Eu estava tipo, não acho que quero fazer isso pelo resto da minha vida. Eu me levantei, saí, liguei para minha mãe e fiquei tipo, eu nem sei mais o que quero fazer da minha vida”.

Você pode estar passando por um desses momentos inquietantes de encruzilhada. Talvez o último suspiro de um sonho que se desvanece esteja deixando você com intensos sentimentos de arrependimento e fracasso. Você pode temer como os outros irão julgá-lo. Afinal, na cultura de hoje, em muitas partes do mundo, somos ensinados desde tenra idade que o sucesso nasce da perseverança teimosa.

‘Ter grit’ (resiliência), escreve a psicóloga Angela Duckworth em seu livro best-seller Grit (2016), “é cair sete vezes e subir oito”.  A essência de seu conselho ecoou por diferentes épocas. “Muitos dos fracassos da vida ocorreram pelo fato das pessoas não perceberem o quão perto estavam do sucesso quando desistiram”, escreveu o inventor Thomas Edison.

Dada esta narrativa dominante das virtudes da perseverança, e levando em conta o modo como as nossas ambições podem se tornar uma parte central de nosso senso de identidade, é compreensível que você possa achar difícil e perturbador enfrentar a perspectiva de perder o seu sonho. Entretanto, você pode se consolar em saber que ser adaptável e flexível em suas ambições é tão importante quanto resistente ou determinado. “Por definição, se você não consegue alcançar o que deseja, irá falhar repetidamente se não parar”, diz Carsten Wrosch, professor de psicologia da Concordia University em Montreal, que há mais de 20 anos vem estudando o construto da ‘capacidade de ajuste de metas’.

A capacidade de ajuste de metas – que os psicólogos veem como uma forma benéfica de ‘autorregulação’ ou ‘autogestão’ – encapsula dois componentes principais: a capacidade de se desvencilhar de objetivos infrutíferos e a capacidade de se engajar em objetivos novos e mais produtivos. Você pode traduzir isso em ‘como saber quando e como passar de um sonho para outro’. É medida pela concordância com itens do questionário como “É fácil para mim parar de pensar sobre a meta e abrir mão dela” e “Digo a mim mesmo que tenho uma série de outras novas metas para excogitar.”

Wrosch diz que as pessoas que não têm essa capacidade tendem a “bater a cabeça contra a parede” quando são confrontadas com um objetivo inalcançável e, a longo prazo, estão mais sujeitas ao estresse e doenças crônicas. Em contraste, aqueles com maior capacidade de ajuste “têm muito mais facilidade” – eles desistem do objetivo infrutífero e encontram uma ambição diferente para perseguir. As virtudes de ser flexível e adaptável também são reconhecidas pelos estudiosos da carreira, que se referem à ‘adaptabilidade de carreira’, aspectos dos quais envolvem ser curioso sobre novas oportunidades e ter confiança na capacidade de aprender novas habilidades. Pessoas com pontuação alta nessa característica são geralmente “mais felizes. Elas têm melhor desempenho. Elas são promovidas … Apenas uma série de coisas boas”, diz Rajiv Amarnani, professor da Business School da University of Western Australia. O fato de você estar contemplando desistir de seu sonho sugere que você tem uma boa disposição para se ajustar e se adaptar, o que é uma vantagem.

Se, no entanto, você está encontrando dificuldade de enxergar além da sensação imediata de perda ou de fracasso, saiba que há caminhos à frente e que outras oportunidades surgirão. Ter a sabedoria e a flexibilidade para saber quando redirecionar ou abrir mão de sua paixão, você estará seguindo os passos de muitos que alcançaram a grandeza. David Foster Wallace abandonou os seus sonhos de excelência no tênis e se tornou um aclamado romancista e escritor. Enquanto isso, os sonhos de excelência no tênis de Roger Federer se tornaram realidade, mas apenas às custas de seu sonho de se tornar um jogador de futebol profissional. Maryam Mirzakhani abandonou o seu sonho de infância de se tornar uma romancista, mas ganhou a Medalha Fields de matemática em 2014 –  a primeira e única mulher a receber a homenagem.

Esses são exemplos dramáticos, mas mostram que o caminho para a realização nem sempre é fácil ou direto. Depois de aceitar a sua perda, você encontrará outras paixões. Novos sonhos o aguardam.

O que fazer. Aceite a sua decisão

Ao largar mão do seu sonho, você pode ficar agoniado, pensando se está cometendo um erro. ‘Não existe boa resposta, não existe fórmula’ para decidir se devemos continuar tentando  ou desistir, diz Wrosch. No entanto, ele recomenda ter em mente um fenômeno conhecido como ‘proteção de metas’ – quando estamos altamente focados em um sonho ou ambição em particular, tendemos a filtrar as informações inconvenientes e que podem colocar em risco o projeto. “Os psicólogos motivacionais chamam isso de ‘mentalidade de implementação’”, diz Wrosch. “Se você cruza o Rubicão, você vai se concentrará no que deseja alcançar e não tem mais esse equilíbrio [sobre como processar a situação].” Por esse motivo, ele diz que, a maior parte de nós, se é que há qualquer coisa, provavelmente corre mais risco de perseguir obstinadamente um sonho por muito tempo do que desistir cedo demais.

O autor e empresário Seth Godin concorda com Wrosch – “não há um cálculo” para decidir quando desistir, diz ele. Ele também avisa que a maioria de nós “mente para nós mesmos o tempo todo sobre se temos os recursos para ultrapassar o mergulho”. O termo ‘o mergulho’ é a tradução de ‘the dip’ –  expressão que é também o título de um livro de Godin de 2007, cujo subtítulo é A Little Book That Teaches You When to Quit (and When to Stick) (Um pequeno livro que ensina quando parar (e quando persistir) – que ele afirma ser “aquele complicado espaço entre a alegria de começar e o benefício de chegar ao outro lado”.

Uma maneira de pensar sobre esse momento emocionalmente difícil é ser objetivo sobre o seu sonho. Por acaso a perseguição do seu sonho tem um elevado custo pessoal, em termos de seus relacionamentos e dos outros objetivos da sua vida? Se for assim, isso sugeriria aquilo que os psicólogos chamam de ‘paixão obsessiva’ e você está sendo sábio em desistir (em contraste com a ‘paixão harmoniosa’ que se encaixa bem nos outros aspectos da sua vida).

Além disso, se puder, tente pensar mais como um ‘perfeccionista saudável’: reconheça que abrir mão de seus objetivos não lança um veredicto final sobre você como pessoa, e reconheça a influência das circunstâncias além do seu controle. Lembre-se também de que o sucesso não é algo tipo tudo ou nada – embora você possa não ter realizado seu sonho por completo, provavelmente terá aprendido muito ao longo do caminho, e agora você tem a chance de redirecionar sua energia e paixão de novas maneiras. Este também é um bom momento para buscar o conselho de familiares e amigos próximos. Eles poderão ajudá-lo a ver a sua situação de forma objetiva e entender a sua decisão.

Seja realista sobre o que você acabou de desistir

Quando você decide abandonar um sonho, é quase inevitável que doa, pelo menos por um tempo, mas existem maneiras de aliviar o desconforto e seguir em frente. “A minha abordagem para isso é começar com o realismo trágico disso, que vai ser difícil, e vai doer”, diz Amarnani, que compara a experiência de desistir de um sonho a uma separação romântica. “Ter uma ambição é ter essa visão de seu eu futuro, e abandonar isso é deixar cair um pedaço de você”, diz ele.

Esse paralelo com os relacionamentos oferece uma pista eficaz de como lidar com a questão. No contexto dos relacionamentos românticos, Amarnani diz que pode ser terapêutico ser realista, ao invés de idealista, sobre a pessoa com quem você está rompendo, e até mesmo se concentrar deliberadamente em suas falhas. Se formos honestos, muitos dos nossos sonhos são romantizados, e vale a pena lembrar que o que você está desistindo não é aquela versão fantasiosa do futuro. Pensamos nos médicos como pessoas que curam pessoas, diz Amarnani, ou que a equipe das Nações Unidas está construindo a paz, mas a sua realidade diária costuma ser muito mais mundana – os médicos estão navegando na burocracia de seus sistemas de saúde; os trabalhadores da ONU estão empurrando a papelada.

Amarnani fala em parte por experiência pessoal. Certa vez, ele teve o sonho de se tornar um neurocientista cognitivo computacional, mas sofreu rejeições repetidas e então a crise financeira o atingiu. Ele mudou de rumo para se tornar um estudioso de administração – “Eu pensei que estava vendendo minha alma”, ele diz, “mas na verdade o que eu estava fazendo era apenas me ajustar à situação, ser adaptável e confiar que, quando você tenta algo novo, a paixão virá”. Para ajudar a fazer as pazes com sua decisão, Amarnani se concentrou nos aspectos negativos do campo do qual desistiu – “Décadas de pesquisas sobre o cérebro não nos ensinaram quase nada sobre a mente” – e hoje ele não poderia estar mais feliz com o fato de ter desistido de seu sonho.  “Eu sofri, genuinamente”, diz ele, mas a vida continua.

Encontre uma nova paixão

É um clichê dizer que o fechamento de uma porta significa uma outra abertura, mas é verdade. Ao abrir mão de um sonho impossível, você está se libertando para colocar tempo e esforço em um projeto potencialmente mais gratificante. É tentador olhar para um grande realizador como Godin e supor que ele chegou ao sucesso por um caminho direto, impulsionado pela perseverança e por uma ambição bem focada. Mas, como a maioria das pessoas de sucesso, Godin deixou para trás muitos sonhos em seu passado, incluindo a venda de sua empresa Yoyodyne para o Yahoo por cerca de US $ 30 milhões no final dos anos 1990.  “Dessa forma, eu não terminei administrando uma empresa gigante. Mas, tudo bem”, diz ele. “E eu costumava ajudar a organizar um acampamento de verão no norte do Canadá. E isso foi o meu sonho por muito tempo. Mas se eu tivesse perseguido esse sonho, não teria o que tenho agora”. Entre outras coisas, isso inclui a autoria de nada menos do que 19 livros desde 1993, e, a entrada no Hall da Fama do Marketing e no Hall da Fama do Marketing Direto.

A carreira de Godin é extraordinária, mas você também pode encontrar maneiras de redirecionar a sua paixão e os seus interesses para novos caminhos. Se você puder encontrar algo que atenda às mesmas necessidades, mas que seja mais viável, é provável que seja “uma boa meta de substituição”, diz Wrosch. Se você sonhava em jogar futebol profissional, por exemplo, poderia se tornar um treinador (e ainda jogar pelo clube local nos fins de semana). A Garber adotou esta abordagem: ela ainda dança como um hobby – e gosta mais agora que não há pressão – e ela está combinando sua nova carreira como jornalista com o seu sonho anterior. “Neste verão, eu fiz um estágio de RP(Relações Públicas) para uma companhia de dança, o que foi muito gratificante, e estou fazendo um trabalho semelhante agora”, diz ela.

Pode ser particularmente doloroso abandonar um sonho quando você é forçado a fazê-lo pelas circunstâncias, tais como por motivos de saúde. Mas, ainda assim, pode haver maneiras de canalizar a sua paixão. Se você sonhava em começar sua família, por exemplo, mas não foi capaz por qualquer motivo, você pode encontrar realização no ensino ou no cuidado de crianças. A terapia de aceitação e compromisso – um desdobramento da TCC  (Terapia Comportamental Cognitiva) – nos ensina a concentrar naquilo que podemos fazer em busca de nossos valores e interesses, ao invés de em vez de lamentar o que perdemos. Digamos que você sonhou em ser advogado, mas problemas de saúde impedem a pesada carga de trabalho: quem sabe se sua preocupação abrangente em defender as pessoas pudesse ser expressa por meio de serviços em prol comunidade?

Por outro lado, agora que você está livre de um sonho específico, pode achar mais atraente usar a liberdade recém-descoberta para seguir em uma direção completamente diferente. Se for esse o caso, leve o seu tempo e pondere as suas opções. Godin adverte contra a pressa. Em vez disso, ele fala sobre “o espaço em branco, vazio e aberto” –  que é onde “o seu subconsciente irá planejar a próxima coisa que você deve fazer”, diz ele.  “Então, se você precisa inventar um novo trapézio para se agarrar, a fim de se livrar deste, você provavelmente não vai inventar direito. Você provavelmente vai fazer isso por desespero. E eu acho que faz mais sentido pensar: como é que eu faço para usar este espaço aberto para descobrir algo que realmente valha a pena me comprometer?”

Um exercício prático que você pode considerar é fazer um teste de interesses de carreira. Existem muitas versões diferentes disponíveis, mas uma das mais respeitadas é o Teste de Aptidão de Carreira, que se baseia na teoria RIASEC apresentada na década de 1950 pelo psicólogo americano John Holland, e que categoriza os seus interesses como sendo predominantemente Realistas, Investigativos, Artísticos , Social, Empreendedor ou Convencional.

Certas carreiras são consideradas como tendo uma melhor correspondência para as diferentes categorias de teste (veja a especificação aqui) – por exemplo, a engenharia civil se enquadra em Realista e a psicologia clínica em Investigativo. Subjacente a esta abordagem está a ideia básica de que temos mais probabilidade de nos destacar e encontrar satisfação em planos de carreira que correspondam aos nossos interesses subjacentes. Quer isso seja verdade ou não – e há uma literatura acadêmica animada debatendo as evidências – o exercício pode ajudar a alimentar a sua imaginação acerca de quais as ambições a seguir.

Pontos-chave

• A nossa cultura destaca a resiliência e a perseverança, mas de igual importância é a capacidade de ser adaptável e flexível, e de conseguir mudar de rumo e ir na direção de novas oportunidades.

• O fenômeno comum de ‘proteção de metas’ nos coloca em risco de perseverar por muito tempo com sonhos inalcançáveis, embora não haja uma maneira infalível de tomar a decisão certa sobre isso.

• Para aliviar a dor de abrir mão de um sonho, seja realista sobre o que você está desistindo – mesmo se você conseguisse, é improvável que seja a versão romantizada que você imaginou.

• Desistir de um sonho pode ser difícil e perturbador, mas haverá outras maneiras de canalizar ou redirecionar sua paixão.

• Aproveite este momento explorando novas oportunidades e construindo sua adaptabilidade para o futuro. Novos sonhos o aguardam.

Aprenda mais

Uma parte fundamental de ter a capacidade de superar sonhos passados ​​– o ‘desengajamento do objetivo’ no jargão psicológico – é aliviar a sensação de arrependimento que você sente, aquela voz importuna que pergunta: ‘E se …?’  No início de sua carreira, Wrosch testou os benefícios de um exercício escrito para superar o arrependimento, dirigido a adultos mais velhos para os quais o arrependimento pode ser um problema específico. Ele e seus colegas descobriram que o exercício de três dias reduziu a intensidade do arrependimento (em comparação com um grupo de controle que não concluiu o exercício) e isso teve um benefício indireto para a qualidade do sono dos participantes.

Para testar o exercício por si próprio, no primeiro dia, passe algum tempo escrevendo sobre seus amigos e colegas que você sabe que se arrependem dos sonhos que abandonaram; no segundo dia, passe algum tempo escrevendo sobre os fatores externos além do seu controle que o levaram a desistir de um ou mais sonhos específicos; e, finalmente, no terceiro dia, passe algum tempo escrevendo sobre seus novos sonhos, por que eles são interessantes e agradáveis, e, como eles beneficiam outras pessoas em sua vida ou comunidade. Essas três atividades baseiam-se na ideia de que é mais fácil abandonar os sonhos quando percebemos que mudar os objetivos é um aspecto inevitável da vida; quando reconhecemos o papel desempenhado por fatores externos, em vez de nos concentrarmos em nossa própria responsabilidade; e quando voltamos nossa atenção para nossos objetivos de substituição edificantes.

Espera-se que esse exercício ajudará a aliviar o seu arrependimento pelos sonhos perdidos, mas, à medida que você avança, você também pode usar esse momento em seu próprio benefício, para construir sua adaptabilidade ao futuro. Afinal, a vida é assim: provavelmente você terá que renunciar a muitos sonhos – tanto em sua carreira quanto em sua vida pessoal. Aprender a ser flexível, isto é, a mudar de rumo e encontrar um novo propósito, é uma habilidade tão desejável quanto ter resiliência (grit) ou determinação, embora não seja tão exaltado na consciência cultural.

Isso pode envolver a sua atitude geral em relação a objetivos e sonhos. Ter apenas um sonho intenso e abrangente será sempre um alto risco. Portanto, uma maneira simples de aumentar sua adaptabilidade é ter pelo menos dois ferros no fogo. Godin sugere começar uma corrida lateral. “Desligue o Netflix, deixe de lado o Facebook e passe 20 horas do seu tempo livre por semana fazendo algo novo sem largar o seu trabalho diário”, diz ele. “Porque essa ideia de que tudo tem que ser certo e perfeito e em tempo integral, não acho que seja particularmente contemporâneo”.

Há também algumas evidências de que é possível treinar a adaptabilidade geral para o futuro. Essas descobertas vêm do campo da psicologia ocupacional e, portanto, dizem respeito à adaptabilidade de carreira, mas a filosofia geral é igualmente relevante para qualquer tipo de ambição.

Por exemplo, um estudo de 2012 liderado por Jessie Koen na Universidade de Amsterdã sugeriu que é possível treinar pessoas (neste caso, recém-formados) em várias facetas de ‘adaptabilidade de carreira’ – uma disposição flexível e voltada para o futuro associada a chances de se redirecoionar e encontrar oportunidades de reemprego satisfatórias. Especificamente, exercícios como refletir sobre os próprios valores, visualizar um dia de trabalho ideal, treinamento em busca de informações e planejamento de carreira, todos ajudaram a desenvolver ‘preocupação’, ‘controle’ e ‘curiosidade’. A primeira dessas facetas da adaptabilidade na carreira é ensinar as pessoas a olhar para frente e se preparar para o futuro; a segunda é sobre ser decisivo (como saber quando mudar de rumo); e a última é estar aberto a diferentes oportunidades de carreira. Outros estudos de treinamento de adaptabilidade produziram resultados semelhantes.

Se você está na escola ou faculdade, é possível que sua instituição ofereça um programa de treinamento semelhante. Para todos os outros, pode ser um desafio receber ensino formal em adaptabilidade de carreira, mas você pode se inspirar na abordagem formal, por exemplo, refletindo sobre o que é importante para você na vida, gastando tempo explorando novas oportunidades e mapeando várias alternativas caminhos para seus objetivos e sonhos. No futuro, você também pode considerar planejar com antecedência as condições sob as quais você desistirá de qualquer objetivo ou sonho específico – dessa forma, você evita ser pego pela emoção de um sonho e persistir mesmo quando for para sua desvantagem.

Vamos ser realistas, no entanto. Seja qual for os preparativos que você coloque em prática, e sem se importar com o quão adaptável você se torne, no dia em que desistir de um sonho, você certamente se sentirá triste. Isso é muito natural. Você pode até sofrer. Mas fique tranquilo, pois não é para sempre. “Esse sentimento [ruim] vai passar”, diz Armanani. “Tudo é efêmero”.

A Garber experimentou ‘um breve período de luto’ depois de abandonar o seu sonho de dançar, mas dois anos depois ela disse “foi a melhor decisão que já tomei”. Ela ainda está dançando, mas agora é puramente por prazer. E ela está amando sua nova paixão pela escrita e pelo jornalismo. “Se algo não está te deixando feliz, não o faça”, diz ela.  “Vai encontrar outra coisa, porque no longo prazo vai valer a pena”.

Links & livros

O podcast ‘Career Relaunch’  (Relançamento de Carreira) é apresentado pelo pesquisador de psicologia Joseph Liu, que virou vendedor de seguros, que virou médico, que virou marqueteiro, que virou treinador de carreira. Ele apresenta inúmeras histórias inspiradoras de pessoas que abandonaram os sonhos e encontraram novos caminhos para a realização.

O podcast diário do ‘Side Hustle School’ conta muitas histórias de pessoas que encontraram recompensa no que começou como projetos em seu tempo livre. O anfitrião é Chris Guillebeau, que escreveu o livro 100 Side Hustles (2019).

A edificante história ‘It’s Alright to Give Up on Your Dreams’ (2019) por Emma Garber para a revista UMass, da Universidade de Massachusetts em Amherst, conta como ela superou seu sonho de ser uma dançarina profissional.

O ‘Career Aptitude Test’ é um teste gratuito baseado na teoria do psicólogo americano John Holland, da editora holandesa de carreiras Jobpersonality. Use o teste para iniciar sua busca por novos sonhos e ambições.

Em seu livro How to Be Everything: A Guide for Those Who (Still) Don’t Know What They Want to Be When They Grow Up (Como ser tudo: um guia para aqueles que (ainda) não sabem o que querem ser quando crescer; (2018), a coach de carreira Emilie Wapnick dá conselhos sobre como lidar com a culpa de desistir mais cedo paixões e como fazer progresso em vários projetos ao mesmo tempo. Também confira sua palestra TED Why Some of Us Don’t Have One True Calling (Por que alguns de nós não temos uma vocação verdadeira; 2015).

Em seu curto best-seller The Dip: A Little Book That Teaches You When to Quit (and When to Stick) ((Um pequeno livro que ensina quando parar (e quando persistir); 2007), Seth Godin apresenta os seus conselhos sobre como saber se você tem o que é preciso (tempo, dinheiro e tolerância a dor) para trabalhar através do ‘mergulho’, quer para realizar as suas ambições ou para encontrar algo novo.

Notas

Este artigo foi publicado na Psyche, uma nova revista digital da editora Aeon, lançada em maio de 2020. Psyche busca iluminar a condição humana por meio de conhecimento psicológico, compreensão filosófica e percepção artística. A presente versão em português (do Brasil) foi feita por Jo Pires-O’Brien (UK).

Christian Jarrett é editor adjunto da Psyche. Neurocientista cognitivo por formação, os seus livros incluem The Rough Guide to Psychology (2011) e Great Myths of the Brain (2014). Seu próximo livro, Be Who You Want: Unlocking the Science of Personality Change (Seja quem você quiser: Desvendando a ciência da mudança de personalidade), será publicado em 2021.

Adeus, Roger Scruton

Adeus, Roger Scruton

Joaquina Pires-O’Brien

Foi com muita tristeza que soube da morte do filósofo Roger Scruton, em 12 de janeiro de 2020, aos 75 anos.

Scruton foi desprezado em seu próprio país por expor as loucuras e falácias dos semideuses da esquerda, como Foucault, Derrrida, Althusser e Gramisci. Apesar de todas as dificuldades que teve que lidar, ele conseguiu obter ‘a vida bela’, que é a marca de todos os verdadeiros filósofos. Que a sua vida sirva como um aviso para todas as sociedades, de quão fácil é julgar mal as pessoas, elevando os indignos e desprezando os que têm mérito. A calamidade do pós-modernismo exacerbou consideravelmente esse erro de julgamento.

Tive a honra de conhecer Scruton em 2012 em Londres, durante a seção de assinatura de livros que ocorreu após um debate entre ele e o teórico e crítico literário Terry Eagleton, promovido pela Intelligence Squared. Depois de me apresentar brevemente, eu disse a ele que havia criado uma revista chamada PortVitoria, de direcionamento liberal clássico, para falantes de português e espanhol. Falei que gostaria de traduzir alguns dos seus ensaios para republicá-los em PortVitoria, e, que ali havia publicado a resenha do seu livro Green Philosophy: How to think seriously about the planet (A Filosofia Verde: Como pensar seriamente sobre o planeta). Quando expliquei que o PortVitoria era uma revista iniciante e ainda desconhecida, ele me tranquilizou dizendo que também havia editado uma revista que tinha apenas uns mil e duzentos assinantes. Ele se referia à The Salisbury Review, uma revista trimestral de pensamento conservador, fundada em 1982, da qual ele havia sido o editor-chefe por 18 anos. Embora The Salisbury Review tenha uma edição digital (https://www.salisburyreview.com/), a edição original, em papel, sobrevive até hoje. Fiquei muito feliz quando ele me disse que eu poderia traduzir o seu ensaio ‘The Green and the Blue’ para o português e o espanhol, para publicar em PortVitoria. Guardo com carinho o meu exemplar assinado do livro The Face of God (2012), onde escreveu: “To Jo, with best wishes”.  Adeus, grande filósofo.

E um feliz Ano Novo pós-moderno para você também

E um feliz Ano Novo pós-moderno para você também

Stuart Parker (Escritor convidado)

Tudo bem. Então, neste mundo pós-verdade, a resolução do seu Ano Novo é tornar-se um pós-modernista, mas você não tem certeza de como proceder? Estou aqui para ajudar.

Agora você pode ficar tentado a se sobrecarregar com Derrida ou tomar uma overdose de Wittgenstein, mas apenas se sente. Tudo isso é divertido, mas é um trabalho árduo e você não quer quebrar essa sua resolução, não é mesmo? Não precisa se preocupar. Aqui estão algumas dicas para você se familiarizar com seus novos tópicos pós–modernos.

Primeiro passo: comece a pensar em termos de metáforas.

No seu livro Metaphors We Live By (As metáforas em que vivemos), Lakoff e Johnson descrevem como as metáforas moldam a maneira como vemos o mundo. Tendemos, por exemplo, a ver ‘positivo’ como positivo, ‘negativo’ como negativo. Mesmo com ‘frente’ versus ‘atrás’, ‘reto’ versus ‘torcido’. O ‘argumento’ é facilmente descrito através da linguagem de guerra. Observe a nossa Câmara dos Comuns e pense em como o parlamento seria diferente se o argumento fosse visto como dança, relacionamento ou amor.

Nós os pós-modernistas apenas damos um passo extra para nos livrarmos do literal completamente. Tudo é metáfora. Para fins específicos, algumas metáforas são mais estáveis ​​do que outras. Aí está o seu literal.

Próximo passo: Ouça mais música.

A música é a mais claramente metafórica das artes. Pensar no ‘significado’ da música o ajudará a enfraquecer o domínio do literal em sua visão de mundo. Pense em como o significado da letra de uma música depende de sua configuração em um contexto de melodia e harmonia. Quantas boas letras de músicas são simplesmente poesia ruim quando arrancadas de suas melodias?

Experimente o famoso jogo ‘I’m Sorry I Haven’t a Clue’ (Sinto mas não tenho a menor ideia), cantando a letra de uma música na melodia de outra. O resultado é geralmente ridículo, e, certamente, envolve uma mudança no significado. Aquela coisa que a música ‘Land of Hope and Glory’ (Terra da esperança e da glória) desperta em você. Isso não é literal. Mas não apenas brinca com seus sentimentos, com a sua imaginação e com o seu senso de identidade; faz isso de uma maneira que é comum a muitas outras pessoas.

Tudo isso é relativo, é claro. Os não britânicos podem perceber algo completamente diferente. Sem problemas. Essa é outra coisa que você se acostumará a adotar como um pós-modernista. Relativismo. Grande momento!

Neste ponto, precisamos esclarecer algo. Os pós-modernistas não valorizam o estilo em detrimento da substância. Ou melhor, sim, mas apenas porque vemos a substância como uma consequência do estilo. Isso pode parecer um pouco estranho no começo. Fui criticado por filósofos realistas da tradição analítica por dizer que o que é realmente ruim sobre os nazistas é que eles ofendem o nosso gosto literário; o nosso senso de estilo narrativo.

Isso é bom. Deixe os analíticos se debaterem com noções absolutas de mal, essência e ética, sustentadas por alguma realidade externa (alerta sobre os estraga prazeres: eles não conseguem). Somos relativistas, certo? Se algo ofende nosso gosto literário, então é suficiente (e podemos justificar a nossa ofensa com letras usando palavras como mal, cruel imoral, para as quais o nosso estilo dará sentido).

Veja como um penteado, roupas ou maquiagem diferentes ajudam a fazer a diferença em como você se sente, como é visto, em sua personalidade e em sua identidade. Ei! Você precisa perder aquela noção de essência central, de um eu essencial. Não há nada a ser descoberto. Você é um pós–modernista agora e tudo é estilo. Esqueça o resto!

Isso é assustador e libertador. Lembre-se, você é um personagem das narrativas de outras pessoas. Identidade não é coisa privada (como você pode ter um estilo particular quando o estilo é sobre ser diferente?) Você não é o árbitro final de si mesmo. Mas você é um jogador. Então, comece a trabalhar no controle das narrativas nas quais você está incorporado.

Já mencionei as narrativas, não? Poderíamos chamá-las ‘textos’. Derrida faz isso. E ele diz que não há nada fora do texto. Tudo o que temos como recurso são as nossas narrativas – os ‘jogos de linguagem’, como Wittgenstein os chamava – e não há mundo independente de texto para arbitrar entre textos rivais. Como poderia haver? Nós nos livramos do literal alguns parágrafos atrás.

Alguns textos combinam-se facilmente. Os romances da Jane Austen poderiam todos coexistir alegremente. Jane Austen e William Borroughs? Bem … Seria um choque, mas é realmente nossa a responsabilidade de criar um estilo favorável; uma metanarrativa (exceto pelo fato de que o abrangente meta papel é ele próprio relativo ao texto …) O ponto é que os textos são feitos pelo homem (há um pouco de falocentrismo derridiano nisso). Eles são um empreendimento humano e cabe a nós, se um estilo é ou não construído de forma a que narrativas irritantes e conflitantes possam ser misturadas suavemente. Ou, pelo menos, coexistirem. Possivelmente, apenas dentro de contextos particulares.

Assim, no Natal, podemos abraçar a verdade da natividade e a verdade do Papai Noel. Nós os pós-modernistas abraçamos as contradições e não temos nenhum problema em aceitar a realidade de cada uma delas. Você só precisa reconhecer que elas são feitas pelo homem e que a realidade deles é relativa aos contextos nos quais são úteis. Sim, como pós-modernista, você rapidamente se acostumará também a ser pragmático.

Alguma lição de política? Bem, eu acho que os conservadores tropeçaram em uma abordagem pós-moderna com seus slogans, na sua reescrita da história e nas suas diversas narrativas patrióticas, desajeitadas porém eficazes. É uma mão na roda se você possui uma máquina de narrativas como, por exemplo, a maior parte da imprensa.

E as mentiras? O pós-modernismo não permite mentiras. As mentiras, assim como a verdade, são relativas ao texto. Não tenho certeza de que tipo de narrativa surreal e cômica tornaria Boris Johnson honesto, mas, bem, você entende.

Quanto ao Partido Trabalhista, tudo o que eu diria é: fique pós-moderno antes que seja tarde demais. Você está pedindo que uma banalizada narrativa pré-histórica dos anos 70 seja imposta a você. Corbyn como estilo? Quão passé. Retome o controle de sua textualidade. Adquira alguma agilidade estilística. Convença-nos com a força da sua criatividade. Lembre-se, é tudo sobre avançar com elegância, e não sobre retornar às bocas de sino! A menos que elas voltem.

Quanto a você, querido leitor, dentro em breve você estará pronto para Derrida. E pra a desconstrução. Feliz Ano Novo. 


Artigo publicado na revista The Article, sábado, 28 de dezembro de 2019. Tradução de Joaquina Pires-O’Brien (UK).

Stuart Parker é um jornalista britânico, ex-professor de filosofia e de educação, e autor do livro Reflective Teaching in the Postmodern World. (O ensino refletivo no mundo pós-moderno).

O Pós-modernismo, incluindo os seus efeitos deletérios no Brasil, é o tema da última edição de PortVitoria, revista da cultura ibérica no mundo, para falantes de português, espanhol e inglês.  Leia e repasse o link.

Conheça Maurice Strong: Globalista, Oligarca do Petróleo e ‘Ambientalista’

Conheça Maurice Strong: Globalista, Oligarca do Petróleo e  ‘Ambientalista’

James Corbett

O desonrado cleptocrata Maurice Strong morreu no final do ano passado[1], aos 86 anos. Ele foi banido da sociedade refinada e forçado a uma vida de exilado, em Pequim, depois que as suas décadas de chicanices comerciais, crimes contra a humanidade e destruição ambiental foram reveladas. A sua desumanidade culminou com uma tentativa de lucrar com a morte de crianças iraquianas famintas. O seu funeral foi uma cerimônia tranquila, com a participação de apenas dos poucos familiares que não conseguiam livrar-se dele completamente. Ex-amigos e parceiros de negócios como Paul Martin, James Wolfensohn, Kofi Annan, Conrad Black e Al Gore, todos evitaram pedidos de comentários sobre a morte do amigo em desgraça.

… é assim que a memória de Maurice Strong deveria seria lembrada em qualquer mundo razoável. Em vez disso, o que obtivemos foi isso:

Na quarta-feira, centenas de pessoas irão se reunir em frente ao Parliament Hill para uma comemoração extraordinária. O Governador Geral, o Primeiro Ministro, o Ministro do Meio Ambiente, o ex-presidente do Banco Mundial – entre outros dignitários, tanto no exercício de cargos quanto fora deles – prestarão homenagem a um dos grandes canadenses de sua geração. Eles celebrarão a vida de Maurice Frederick Strong, que morreu em 27 de novembro [de 2015]. A sua morte trouxe os obituários obrigatórios e homenagens pessoais. Mas em um país que muitas vezes esconde a sua luz sob um celeiro, e a vida consequente e exaltada de Maurice Strong, em casa e no exterior, não deve passar em branco.

E os elogios continuam chegando.

Do Primeiro Ministro canadense Justin Trudeau: “Maurice Strong foi um pioneiro do desenvolvimento sustentável que fez do nosso país e do mundo um lugar melhor.”

Do cofundador do Fórum Econômico Mundial em Davos: “Ele foi um grande visionário, sempre à frente dos nossos tempos em seu pensamento.”

De John Ralston Saul, autor e filósofo: “Ele mudou o mundo.”

De fato, toda uma multidão de globalistas apareceu no início desta semana em Ottawa para prestar homenagem à memória de Strong, desde o ex-presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, ao subsecretário-geral da ONU, Achim Steiner, e o ex-secretário-geral do clube de Roma, Martin Lees. Chegaram também uma enxurrada de condolências escritas de outros proeminentes globalistas, incluindo Mikhail Gorbachev, Gro Harlem Bruntland e Kofi Annan.

Então, por que exatamente Maurice Strong era tão amado pelo jet set globalista?

Ah, está certo:

ENTREVISTADOR: “O Maurice Strong não tem nenhuma ambição para tornar a ONU (Organização das Nações Unidas) o governo do mundo?”

STRONG: “Não, e não é necessário, não é viável e, certamente, estamos longe de algo assim. Mas precisamos – se queremos ter um mundo mais pacífico, um mundo mais seguro – precisamos de um sistema de cooperação mais eficaz, que é o que chamo de ‘sistema de governança’. E as Nações Unidas, com todas as suas dificuldades , é o melhor jogo da cidade.” (Entrevista)

Presidente da Power Corp. Presidente da Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional. Presidente da Petro Canadá. Presidente da Ontario Hydro. Chefe do Programa Ambiental das Nações Unidas. Membro fundador do Fórum Econômico Mundial em Davos. Pai do IPCC. Globalista dedicado.

Não, não é difícil entender por que os globalistas amam o arquiglobalista Maurice Strong. Mas, como foi que esse homem, um jovem pobre que abandonou o ensino médio em Oak Lake, Manitoba, tornou-se no estrategista de bastidor responsável por moldar as nossas instituições globais modernas? A história é tão improvável quanto instrutiva, e nos leva do coração do universo do petróleo à criação do IPCC[2].

Dada a notável ascensão de Strong através das fileiras do poder político para se tornar um chefão globalista, não será surpreendente saber que ele tinha conexões políticas em sua família. Mas pode ser surpreendente ouvir onde se encontravam essas conexões. Uma tia dele, Anna Louise Strong, era uma comunista convicta que fez amizade com Lenine e Trotsky (que lhe pediu que lhe ensinasse inglês) antes que ela finalmente se estabelecesse na China, onde tinha familiaridade com Mao Zedong. Ela se aproximou de Zhou Enlai, que chorou abertamente quando ela foi enterrada com honras completas no cemitério revolucionário de Babaoshan, em Beijing.

Infelizmente para a humanidade, a o cavaco não caiu muito longe do pau com o jovem Maurice. Nascido na zona rural de Manitoba, em 1929, e sofrendo o pior da Grande Depressão, Maurice Strong abandona a escola aos 14 anos em busca de trabalho. Ele trabalha como auxiliar de convés em navios e, aos 16 anos, como comprador de peles da Hudson’s Bay Company, no norte do Canadá. Lá ele conhece O ‘Wild’ [Selvagem] Bill Richardson, cuja esposa, Mary McColl, vem da família McColl-Frontenac, que está por trás da uma das maiores empresas de petróleo do Canadá.

Através de Richardson, Strong faz contatos que o impulsionam a sua improvável carreira. A Wikipédia explica enigmaticamente:

“Strong se encontrou pela primeira vez com um importante funcionário da ONU em 1947, que providenciou uma nomeação temporária e de baixo nível, para servir como oficial de segurança júnior na sede da ONU em Lake Success, Nova York. Ele logo retornou ao Canadá e, com o apoio de Lester B. Pearson, dirigiu a fundação da Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional em 1968”.

No que diz respeito a grandes lacunas narrativas e encobrimentos enigmáticos de pormenores, esse parágrafo é uma obra-prima. A verdade é ainda mais estranha. Aquele ‘funcionário da ONU’ sendo referido pela Wiki? Aquele não era outro senão o próprio tesoureiro da ONU, Noah Monod. De fato, Monod não apenas arranja um emprego para ele, mas lhe dá também um lugar para morar; as duas salas juntas durante o tempo de Strong na Big Apple. Mas o mais importante é que Monod lhe apresenta ao homem que mais do que qualquer outro estará por trás de sua ascensão meteórica ao estrelato internacional: David Rockefeller.

Maurice Strong gostava de contar a história de que ele havia enfrentado Rockefeller no início. De acordo com Strong, algumas de suas primeiras palavras para David foram: “Eu sou profundamente contrário a você e a tudo o que a sua família representa”. Estranhamente, David não se lembra do encontro dessa maneira, dizendo que os dois tinham “uma forte relação de trabalho.”

De qualquer maneira, a partir daquele momento, Strong era um homem feito. E a partir daquele momento, onde quer que Strong fosse, Rockefeller e seus associados estavam lá em algum lugar nos bastidores.

Foi um veterano da Standard Oil, Jack Gallagher, que deu a Strong sua grande oportunidade na indústria de petróleo de Alberta quando este deixou o seu emprego seguro na ONU para voltar ao Canadá. Gallagher havia sido contratado por Henrie Brunie, uma amiga íntima de John J. McCloy, um associado de Rockefeller, para criar uma nova empresa de exploração de petróleo e gás. Strong entrou como assistente de Gallagher.

Quando, de repente, Maurice Strong decidiu deixar o emprego, vender sua casa e viajar para a África, encontrou um emprego no CalTex de Rockefeller, em Nairobi.

Quando ele deixou o cargo em 1954 e fundou sua própria empresa no Canadá, contratou Brunie para administrá-lo e nomeou dois representantes da Standard Oil de Nova Jersey para seu conselho. A essa altura, ele estava no final da casa de 20 anos e já era um multimilionário.

Após criar uma considerável rede de contatos junto à elite política do Canadá, Strong foi nomeado chefe da Power Corporation, uma nova cria da poderosa família Desmarais, os ‘Rockefellers do Canadá”. A Power Corp é um importante ‘criador de caciques políticos’ no meio político canadense, e, sob a administração de Strong, continuou a desempenhar esse papel. Um de seus escolhidos: um MBA de Harvard de cara nova chamado James Wolfensohn, futuro presidente do Banco Mundial. Outra escolha dele: Paul Martin, futuro CEO da Canada Steamship Lines e futuro Primeiro Ministro do Canadá.

Strong deixou a Power Corp para liderar o programa de ajuda externa do Canadá. Ele supervisionou a criação da Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (CIDA) e do Centro Internacional de Pesquisa em Desenvolvimento (IDRC). Como a jornalista Elaine Dewar, que entrevistou Strong para seu livro inovador Cloak of Green (Capa Verde), explica:

“A IDRC tinha uma cláusula em sua legislação de habilitação que lhe permitia doar dinheiro diretamente a indivíduos, governos e organizações privadas. Foi criada como uma corporação, reportando ao Parlamento através do ministro de Assuntos Externos. Seu conselho de governadores foi projetado para incluir pessoas privadas e até estrangeiras. […] Como o IDRC não foi criado como um agente da Coroa (como é a CIDA), pôde receber doações de caridade de empresas e indivíduos, bem como fundos do governo”.

Essas “empresas e indivíduos” generosamente “doaram” seu dinheiro ao IDRC, e, naturalmente, incluíram o Chase Manhattan Bank, do Rockefeller, e a própria Fundação Rockefeller. Strong admitiu a Dewar que o IDRC foi capaz de vender influência política no terceiro mundo sob seu disfarce de organização quase governamental.

No entanto, a sua carreira quase empresarial / quase governamental / quase “filantrópica” atingiu um novo nível em 1969. Isso se deu quando o embaixador sueco na ONU telefonou para Strong para ver se ele queria liderar a próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que deveria ocorrer em 1972. Ele recebeu a ligação não pelo seu suposto amor ao meio ambiente, mas porque, mesmo naquela época, Strong já era conhecido como um ‘Fichário de Rolo’ humano de conexões políticas, comerciais e financeiras em todo o mundo desenvolvido e em desenvolvimento.

E naturalmente, ele foi devidamente nomeado administrador da Fundação Rockefeller, que depois financiou o seu escritório para a cúpula (cimeira) de Estocolmo, e forneceu a pesquisadora da Carnegie, Barbara Ward, e o ecólogo da Rockefeller, René Dubos, para a sua equipe. Strong os encomendou a escrever ‘Only One Earth’ (Uma só Terra), um texto fundamental no campo do desenvolvimento sustentável, o qual é fortemente apontado pelos globalistas como sendo chave na promoção da gestão global de recursos.

A Cúpula (Cimeira) de Estocolmo, de 1972, ainda é reconhecida como um momento marcante na história do movimento ambiental moderno, pois levou não apenas aos primeiros planos de ação ambiental administrados por governos na Europa, mas também a criação de uma burocracia totalmente nova da ONU: o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNDP/PNUMA). Diretor fundador do PNUMA: Maurice Strong. Como Dewar explica:

“Como muitas das organizações que Strong criou, essa também teve vários usos. Em 1974, o PNUMA emergiu do solo não cultivado de Nairóbi, no Quênia, antigo território de Strong. A colocação do PNUMA na África foi explicada como uma ‘migalha’ para os países em desenvolvimento, e que suspeitavam das intenções ocidentais. Mas também porque era útil para as grandes potências ter outra organização internacional em Nairóbi. Após a Guerra do Yom Kippur, em 1973, Nairóbi havia se transformado na principal capital de espiões da África”.

A Guerra do Yom Kippur e o consequente embargo da OPEP (previsto magicamente pela Conferência de Bilderberg na Suécia no início do ano e organizado pelo agente de David Rockefeller, Henry Kissinger) tiveram outro efeito derivado que acabou beneficiando Strong. O embargo atingiu com força o leste do Canadá, levando o primeiro-ministro Trudeau a criar uma companhia de petróleo nacional. O resultado: a Petro-Canada nasceu em 1975 e Trudeau naturalmente nomeou Strong, agora o membro mais poderoso do movimento ambiental globalista, como seu primeiro presidente.

David Rockefeller esteve lá com Strong no Colorado em 1987 para o ‘Quarto Congresso Mundial da Vida Selvagem’, um encontro de importância histórica mundial que quase ninguém ouviu falar. Com a participação de Rockefeller, Strong, James Baker e o próprio Edmund de Rothschild, a conferência acabou girando em torno da questão do financiamento para o crescente movimento ambientalista que Strong formou do zero através de seu trabalho no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Foi nessa conferência (gravações da mesma estão disponíveis on-line graças ao denunciante George Hunt) que Rothschild pediu a criação de um Banco Mundial de Conservação, para o qual que ele bolou como mecanismo de financiamento um ‘segundo Plano Marshall’,  que seria usado para ‘alívio de dívidas’ do terceiro mundo e para esse favorito apito de cão globalista, o ‘desenvolvimento sustentável’.

O sonho de Rothschild tornou-se realidade quando Strong presidiu outra cúpula ambiental de alto nível da ONU: a “Cúpula da Terra”, no Rio de Janeiro, em 1992. Embora talvez melhor conhecida como a conferência que deu origem à Agenda 21, o que é muito menos conhecido é que foi a Cúpula da Terra que permitiu que o Banco Mundial de Conservação se tornasse uma realidade.

Iniciado às vésperas da Cúpula da Terra do Rio como um programa piloto de US $ 1 bilhão do Banco Mundial, o banco, agora conhecido como “Global Environment Facility” (GEF), ou Fundo Mundial para o Meio Ambiente, é o maior financiador público de projetos ambientais globais, tendo feito mais de US $ 14,5 bilhões em doações e cofinanciou outros US $ 75,4 bilhões. O banco é o mecanismo financeiro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a convenção organizadora que dirige o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

Com a Agenda 21 em seu currículo, o banco de sonhos do GEF de Rothschild dentro da lata e o IPCC já brilhando nos olhos, a notável carreira de Strong não mostrou sinais de parada. Depois de encerrar a Cúpula do Rio, assumiu uma série de compromissos tão desconcertantes que quase desafia a credulidade. De seu site oficial, vem a seguinte lista:

“Após a Cúpula da Terra, Strong continuou a assumir um papel de liderança na implementação dos resultados obtidos no Rio através da criação do Conselho da Terra, do movimento da Carta da Terra, de sua presidência do Instituto de Recursos Mundiais, de membro do Conselho do Instituto Internacional de Desenvolvimento Sustentável, o Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo, o Instituto Afro-Americano, o Instituto de Ecologia da Indonésia, o Instituto Beijer da Real Academia Sueca de Ciências e outros. Strong era um diretor de longa data da Fundação do Fórum Econômico Mundial, consultor sênior do presidente do Banco Mundial, membro da Assessoria Internacional da Toyota Motor Corporation, Conselho Consultivo do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, o Conselho de Empresas Mundiais para o Desenvolvimento Sustentável, a União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), o Fundo Mundial para a Vida Selvagem, Recursos para o Futuro e as Bolsas Eisenhower”.

Não resta dúvida de que Strong levou uma vida encantada. E, dada a presença persistente dos interesses de Rockefeller naquela vida desde seus primeiros anos, não há dúvida de por que as portas pareciam se abrir para ele onde quer que ele fosse.

Mas, ainda assim, é preciso perguntar como e por que um abandono do ensino médio que se tornou grande no ramo do petróleo graças às suas grandes conexões com o petróleo se tornaria a figura mais importante do movimento ambiental internacional. Ele estava realmente interessado em proteger o meio ambiente?

Considere a aquisição de Strong da Arizona Land & Cattle Company, do traficante de armas saudita Adnan Khashoggi, em 1978. Como parte dessa aquisição, Strong ganhou controle sobre um rancho no vale de San Luis, no Colorado, chamado Baca Grande. Como Henry Lamb explica em um artigo de 1997:

“O rancho, chamado Baca Grande, ficava no maior aquífero de água doce do continente. Strong pretendia canalizar a água para o sudoeste do deserto, mas as organizações ambientais protestaram e o plano foi abandonado. Strong terminou com um acordo de US $ 1,2 milhão da companhia de água, uma concessão anual de US $ 100.000 da Laurance Rockefeller, e ainda manteve os direitos sobre a água”.

Não, o interesse de Strong no sítio não teve nada a ver com a preservação do ambiente primitivo do vale de San Luis. Seu interesse era totalmente estranho. Como observa o Quadrant Online:

“Maurice Strong tinha sido informado por um místico que:

O Baca se tornaria o centro de uma nova ordem planetária que evoluiria do colapso econômico e das catástrofes ambientais que varreriam o mundo nos próximos anos.

Como resultado dessas revelações, Strong criou a Fundação Manitou, uma instituição Nova Era (New Age)[3] localizada no rancho de Baca – acima das águas sagradas às quais a permissão para bombear foi negada a Strong. Esse hocus-pocus continuou com a fundação do The Conservation Fund (com a ajuda financeira de Laurance Rockefeller) para estudar as propriedades místicas da montanha Manitou. No rancho de Baca, há um templo circular dedicado aos movimentos místicos e religiosos do mundo”.

De fato, o zelo missionário de Strong por espalhar sua mensagem ambiental de desastre e destruição por tantas décadas pode ser mais facilmente explicado como um zelo quase religioso por preparar o caminho para a ‘Nova Ordem Mundial’ que esta destruição ambiental supostamente prediz.

Uma visão mais aprofundada das místicas crenças da Nova Era de Strong, pode ser encontrada naquilo que ele considerou ser sua conquista mais importante: a criação da Carta da Terra. A Carta da Terra foi fruto do Instituto do Conselho da Terra de Strong, que ele fundou em 1992 com a ajuda de Mikhail Gorbachev, David Rockefeller (obviamente), Al Gore, Shimon Peres e um punhado de amigos globalistas de Strong.

O próprio portal de Strong descreveu a Carta da Terra como ‘uma declaração de consenso global amplamente reconhecida sobre ética e valores para um futuro sustentável’, mas o próprio Strong estruturou o documento em termos religiosos, dizendo que espera que seja tratado como um novo Dez Mandamentos.

Então, o que a Carta da Terra diz? Além das previsíveis bobagens esperadas sobre ‘justiça social e econômica’ e outras chavões políticos, o documento termina como uma carta de amor ao governo mundial:

“Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir suas obrigações sob os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional juridicamente vinculativo em meio ambiente e desenvolvimento”.

A própria Carta da Terra repousa na “Arca da Esperança”, uma arca literal que foi construída especificamente para abrigar o documento original em uma referência óbvia à arca da aliança. A arca foi inaugurada em 9 de setembro de 2001 e depois transportou 350 milhas para as Nações Unidas após o 11 de setembro. O membro da Comissão da Carta da Terra que presidiu a inauguração não passou de Steven C. Rockefeller.

Embora essa busca quase religiosa pelo governo global esteja sempre envolvida em uma linguagem de bem-estar sobre o fortalecimento de comunidades e a preservação do planeta, a realidade subjacente é sobre uma agenda maquiavélica muito mais. Como observa Dewar em Cloack of Green  (Manto Verde) acerca da Cúpula do Rio:

“Anunciada como a maior cúpula do mundo, a do Rio foi descrita publicamente como uma negociação global para reconciliar a necessidade de proteção ambiental com a necessidade de crescimento econômico. Os conhecedores entendiam que havia outros objetivos mais profundos. Isso envolveu a mudança dos poderes reguladores nacionais para vastas autoridades regionais; a abertura de todas as economias nacionais fechadas restantes a interesses multinacionais; o fortalecimento das estruturas de tomada de decisão muito acima e muito abaixo do alcance das democracias nacionais recém-criadas; e, acima de tudo, a integração dos impérios soviético e chinês no sistema de mercado global. Não havia nome para essa agenda tão grande que eu já ouvira alguém usar, então, mais tarde, eu mesmo a nomeei – a Agenda de Governança Global”.

O próprio Strong deu uma ideia do que essa agenda realmente implicava para o homem ou mulher comum em uma entrevista da BBC em 1972 antes do início da cúpula de Estocolmo. Discutindo o ‘problema de superpopulação’ então em voga como a causa ambiental do dia, Strong admitiu em suas reflexões sobre o potencial de licenças de reprodução:

“Licenças para ter filhos por acaso é algo que eu tive problemas por alguns anos atrás por sugerir, mesmo no Canadá, que isso pode ser necessário em algum momento, pelo menos alguma restrição ao direito de ter um filho. Não estou propondo isso, estava simplesmente prevendo isso como um dos possíveis cursos que a sociedade teria que considerar seriamente se nos envolvêssemos nesse tipo de situação”.

Que Strong teve tanto sucesso em promover sua agenda de ‘governança global’ por tantas décadas é um testemunho não de sua própria liderança visionária, como muitos globalistas professam, mas dos incríveis recursos dos Rockefellers, dos Rothschilds e outros que estão financiando essa agenda. à existência e empurrando-o a cada passo.

É por alguma medida de boa sorte, então, que as décadas de fraude de Strong finalmente tenham chegado ao fim (mais ou menos) em 2005, quando, como observa o Quadrant Online, ele foi finalmente pego ‘com a mão no caixa’:

“Investigações sobre o Programa Petróleo por Alimentos da ONU descobriram que Strong havia endossado um cheque de 988.885 dólares para M. Strong – emitido por um banco jordaniano. O homem que deu o cheque, o empresário sul-coreano Tongsun Park, foi condenado em 2006 em um tribunal federal dos EUA por conspirar para subornar funcionários da ONU. Strong renunciou e fugiu para o Canadá e daí para a China, onde vive desde então”.

Embora ainda aparecendo em vários eventos ao redor do mundo, Strong liderou uma existência muito mais baixa na última década, provavelmente desacelerada pelos estragos da idade avançada. Mas agora que ele finalmente faleceu, somos deixados a receber elogios ainda mais nauseantes a esse homem e às muitas instituições globalistas que compõem seu legado.

Não, não é difícil entender por que Maurice Strong era tão amado pelo jet set globalista. Só não espere que nenhum dos membros desse jet set conte essa história em detalhes.

Ilustrações:

Foto de Maurice Strong tendo ao fundo uma paisagem ressecada e um selo da ONU.

Foto de Anna Louise Strong, tia de Maurice Strong, ao lado de Mao Zedong e outros dignitários chineses. Anna Strong era uma comunista comprometida que fez amizade com Lenine e Trotsky.

Imagem do sítio de petróleo de Alberta, onde Maurice Strong trabalhou depois de ter deixado o seu primeiro emprego na ONU.

Foto do jovem Maurice Stong em frente à mesa presidencial, em uma conferência da ONU.

Foto de George Bush, presidente dos Estados Unidos, discursando na Cúpula da Terra de 1992 no Rio.

Imagem da placa externa do rancho Baca Grande, no vale de San Luis, no Colorado, adquirido por Maurice Strong, que se tornou o local da Fundação Manitou, uma instituição ‘Nova Era’ (New Age).

Foto de Maurice Strong falando durante uma conferência em que anunciou a criação da Carta da Terra.

Foto de um cheque de US $ 988.885 concedido a M. Strong, emitido por um banco jordaniano, e endossado com a assinatura de Maurice Srong.

Publicado originalmente em TheInternationalForecaster.com, em 31 de janeiro de 2016

James Corbett é um jornalista e editor do portal ‘The Corbett Report’, Open Source Intelligence News, https://www.corbettreport.com/about/

James Corbett has been living and working in Japan since 2004. He started The Corbett Report website in 2007 as an outlet for independent critical analysis of politics, society, history, and economics. Since then he has written, recorded and edited thousands of hours of audio and video media for the website, including a podcast and several regular online video series. He is the lead editorial writer for The International Forecaster, the e-newsletter created by the late Bob Chapman.

His work has been carried online by a wide variety of websites and his videos have garnered over 50,000,000 views on YouTube alone. His satirical piece on the discrepancies in the official account of September 11th, “9/11: A Conspiracy Theory” was posted to the web on September 11, 2011 and has so far been viewed nearly 3 million times.

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For more information about Corbett and his background, please listen to Episode 163 of The Corbett Report podcast, Meet James Corbett: Episode 163 – Meet James Corbett

Tradução: Joaquina Pires-O’Brien (UK, 4 set 2019)


[1] Maurice Frederick Strong faleceu em 28 de novembro de 2015, em Ottawa, Canadá, aos 86 anos de idade.

[2] IPCC. Intergovernmental Panel on Climate Change / Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

[3] New Age ou Nova Era é definida pelo dicionário Cambridge online como sendo “um modo de vida e pensamento desenvolvido no final dos anos 80, com base em ideias que existiam antes das teorias científicas e econômicas modernas.” Essa definição coloca a Nova Era dentro da doutrina pósmodernista.

Aristóteles. Sobre o amor de amigos

Aristóteles. Sobre o amor de amigos

Neera K. Badhwar e Russell E. Jones

É surpreendente que Aristóteles dedique vinte por cento da Ética a Nicômaco (EN) a uma discussão sobre amizade – mais do que às virtudes de coragem, temperança, generosidade, magnificência, magnanimidade, brandura, graça, veracidade, sagacidade e mortificação apropriada, combinadas; e mais do que o dobro do espaço à justiça ou à virtude intelectual. Isso é um forte contraste com o espaço dedicado hoje em dia à amizade na maioria das obras sobre ética. Talvez isso não nos devesse surpreender: Aristóteles enfatiza corretamente que é da própria natureza dos humanos viver em associação com os outros (Política I.2). “Ninguém escolheria viver sem amigos”, ele nos garante, “nem mesmo se ele tivesse todas as outras coisas boas” (1155a5-6).i Além disso, porque as virtudes são parcialmente constitutivas da mais alta forma de amizade, a amizade baseada no caráter virtuoso, uma discussão sobre esse tipo de amizade envolve uma discussão das virtudes em um contexto que deixa claro como elas nos beneficiam.

Aristóteles chama essa forma mais elevada de amizade, a baseada no caráter dos amigos, de ‘completa’ (teleion). É o caso paradigmático da amizade, o caso central, em cuja referência as amizades incompletas, de utilidade ou prazer, são compreendidas. Por isso, nós nos concentramos no caso central, a fim de esclarecer a explicação de Aristóteles sobre a amizade de maneira mais ampla (Seção I). É uma questão de alguma controvérsia no tocante a quão distantes do caso central as outras formas de amizade divergem, e em que aspectos.ii Sobre a interpretação que adotamos e discutimos a seguir, o que torna as outras formas de amizade incompletas não é que elas não tenham a marca chave da amizade, a boa vontade mutuamente reconhecida. Na verdade, esses amigos desejam coisas boas uns para os outros, e, até o fazem pelo bem do outro e não simplesmente pelo que ganham com o relacionamento. No entanto, essas amizades são incompletas porque a sua base – prazer ou lucro, em vez de bom caráter – é incidental à identidade dos amigos. Embora não o façam plenamente, eles percebem algo do que admiramos no caso central da amizade de caráter [também conhecida como amizade de virtude, amizade de excelência ou amizade perfeita. NT].


Leia o restante do presente ensaio em PortVitoria, revista bianual da cultura ibérica no mundo.

‘The buck stops here’. Expressões inglesas e portuguesas de probidade administrativa e de corrupção

Jo Pires-O’Brien

Ao redigir o editorial da presente edição de PortVitoria, que fala sobre as tragédias da corrupção brasileira e da destruição do Museu Nacional no incêndio da noite de 3 de setembro de 2018, eu experimentei um longo fluxo de pensamentos que atravessou todas as áreas de conhecimento em que tenho familiaridade, incluindo a linguística e a história. Eu resolvi aproveitar essa experiência e compilar os termos ingleses de probidade administrativa e de corrupção que conhecia, e criar uma narrativa didática em torno dos mesmos, na expectativa de que sejam de alguma utilidade para os leitores de PortVitoria.

O império onde o sol nunca se põe

O Reino Unido da Grã-Bretanha, ou Reino Unido ou Grã-Bretanha, possui uma considerável experiência em administração, que incluiu governar domínios, colônias, protetorados, mandados e territórios. A maior extensão territorial de sua história ocorreu após a Primeira Guerra Mundial, quando em 28 de junho de 1919, a recém-criada Liga nas Nações, através do Tratado de Versalhes, deu início ao projeto do Mandato Britânico da Palestina, cobrindo uma vasta extensão no Oriente Médio, a qual incluía a Transjordânia, o qual foi confirmado pelo Conselho da Liga das Nações em 24 de julho de 1922, tendo entrado em vigor em 29 de setembro de 1923. A incumbência não veio em boa hora para a Grã-Bretanha, pois a sua economia estava em ruínas devido à guerra e já havia perdido a antiga posição de maior poder industrial e militar do mundo. E como era de se esperar, o império britânico entrou em declínio e terminou com a independência da Índia em 1947. O seu último protetorado foi Hong Kong, o qual foi devolvido em 30 de junho de 1997, conforme estava estipulado no acordo de leasing de 99 anos, com a China, assinado em 1898.

O Império Britânico e a sua designação de ‘o império onde o sol nunca se põe’ existe apenas na história, mas, apesar de todos os seus erros e acertos, deixou como principal legado a língua inglesa, a terceira mais falada do mundo depois do mandarim e do espanhol, e a mais importante nas relações internacionais. E, se forem contabilizados os falantes de inglês como segunda ou terceira línguas, o inglês é a primeira mais falada de todo o mundo, de acordo com Guillaume Thierry, um professor of neurociência cognitiva da Universidade Bangor1. O mundo anglófono inclui 54 estados soberanos e 27 não soberanos, todos compartilhando as mesmas raízes históricas e culturais. Os países anglófonos mais importantes são os Estados Unidos,  Grã Bretanha, a Austrália, Canadá e a Nova Zelândia.

A língua e os valores culturais

A língua é muito mais do que uma coleção de sinais de comunicação, pois suas palavras e as expressões carregam valores culturais e percepções. A linguagem e a cultura estão estreitamente ligadas, e uma influencia a outra. Por exemplo, a elevada quantidade de expressões idiomáticas do inglês de origem náutica tem a ver com o fato da marinha britânica ter dominado o mundo durante quase três séculos. A longa experiência imperial da Grã-Bretanha ensinou-a não apenas a lidar com as mais diversas culturas, mas também a desenvolver um sofisticado sistema de administração, do qual vieram as expressões idiomáticas de orgulho pela probidade administrativa: ‘not in my watch’ e ‘the buck stops here’, abaixo explicadas. Assim, sempre que alguém interage com outra língua acaba interagindo com a cultura que fala a língua.

O topo da lista de países percebidos como sendo os menos corruptos preparada pela Transparência Internacional,  a Nova Zelândia, o Canadá e a Grã-Bretanha encontram-se entre os 10 primeiros, e a Austrália e os Estados Unidos entre os 20 primeiros.


Jo Pires-O’Brien é editora de PortVitoria.

Leia mais

A idade da desonestidade. O pós-modernismo é errado porque é falso

Jo Pires-O’Brien

Modernidade e a pós-modernidade

A modernidade e a pós-modernidade são concepções diferentes do mundo. Enquanto que a modernidade baseia-se no Iluminismo e nos avanços do racionalismo e da ciência, a pós-modernidade baseia-se na ruptura com o Iluminismo e com o rigor do racionalismo e da ciência. Dentro da concepção da modernidade surgiu a escola linguística estruturalista, que ao ser absorvida por outras disciplinas das humanidades e das ciências sociais gerou uma visão geral do mundo baseada no conhecimento e na realidade, a qual passou a ser chamada de estruturalismo.  Dentro do estruturalismo surgiram dissidências, as quais não lograram criar uma visão explícita que merecesse o nome de escola filosófica, mas mesmo assim passou a identificar-se como pós estruturalismo. A abordagens respectivas da modernidade e da pós-modernidade confundem-se com essas, e por essa razão, modernidade e estruturalismo viraram sinônimos, assim como pós-modernidade e pós-estruturalismo.

Pós-modernismo, descontrucionismo e construtivismo

O pós-modernismo é uma ideologia ambígua e difícil de definir, a não ser pelo seu objetivo de destruir a modernidade e substituí-la pela pós-modernidade marxista. O motivo pelo qual o pós-modernismo é ambíguo é esconder a sua falsidade. É por essa mesma razão que Jordan Peterson descreveu o pós-modernismo como sendo o marxismo com pele nova.

A falsidade do pós-modernismo está tanto no seu método de destruir a civilização ocidental moderna, através da destruição de suas metanarrativas como o Iluminismo, a racionalidade, a ciência, etc., quanto no seu método de falsificar realidades. Esses dois métodos são chamados deconstrucionismo e construtivismo. Os seus respectivos alvos são a modernidade e a pós-modernidade.

Desconstrucionismo é o processo de aviltamento das coisas características do modernismo através do ataque às suas metanarrativas, reduzindo-as a sequências arbitrárias de sinais linguísticos ou palavras, e em seguida substituindo significados originais por outros, para finalmente concluir que nenhuma interpretação dessas sequências de palavras é mais correta que outra.

Construtivismo é o processo de criar abstrações – constructos – através da retórica. Embora existam certos constructos que são normalmente aceitos, como por exemplo, Estado, dinheiro, lei, e identidades nacionais, o construtivismo da doutrina do pós-modernismo é radical, irracional e desonesto, pois baseia-se na premissa de que tudo é uma questão de semântica.

O desconstrucionismo começou no meio da intelectualidade francesa marxista, sendo Jacques Derrida (1930-2004) o pai reconhecido desse movimento.  Inicialmente o desconstrucionismo era uma forma de crítica literária, mas ao ser absorvido pelas humanidades e ciências sociais, passou a ter outras aplicações. Derrida acreditava que o pensamento ocidental foi viciado desde a época de Platão por um tumor que ele chamou de ‘logocentrismo’, referindo-se à suposição de que a linguagem descreve o mundo de maneira bastante transparente. Na visão de Derrida, a descrição do mundo através da linguagem é uma ilusão, e a própria linguagem não é imparcial e as palavras nos impedem de realmente experimentar a realidade diretamente. O que Derrida quer, é derrubar a crença em uma realidade externa objetiva que pode ser explorada através da linguagem, da racionalidade e da ciência, e mostrar que a grande narrativa do Iluminismo não passa de um conjunto de delírios. O método de Derrida para destruir a linguagem é a desconstrução – uma técnica que nos faz ver que os ‘significantes’ – as palavras em si no sistema saussureano – são tão ambíguos e mutáveis que podem significar alguma coisa ou nada.

A ideia original do construtivismo antecede a modernidade, mas o primeiro autor contemporâneo a empregá-la foi o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), para descrever o modo como as crianças criam um modelo mental do mundo. Embora os pós-modernos parecem gostar da ligação com Piaget, o construtivismo piageteano é positivo enquanto que o  construtivismo pós-moderno é negativo. O construtivismo piageteano afirma que o conhecimento é algo construído pelo indivíduo com base em suas interações com o mundo físico e o mundo social. O construtivismo dos pós-modernos afirma o conhecimento é algo socialmente construído. A fim de distinguir o construtivismo pósmodernista do construtivismo piageteano o primeiro passou a ser conhecido como construtivismo social ou socioconstrutivismo.

A que veio o pós-modernismo?

O pós-moderismo veio para fazer a revolução marxista por debaixo do pano.  As suas principais armas são o desconstrucionismo, usado para aviltar o racionalismo e a ciência, e o socioconstrutivismo, usado para criar grupos de identidades políticas e lideranças, através de imagens e figuras de retórica. A estratégia do pós-modernismo e criar subliminarmente uma disposição ou mentalidade pós-moderna, ou um Zeitgeist  pós-moderno.

O objetivo do marxismo era criar uma sociedade ideal, mas tal sociedade ideal só podia existir na prancheta, pois a tentativa de implementá-la gerou tiranias genocidas. O pós-modernismo também rejeita a realidade e anseia por uma realidade idealizada.

Na mentalidade pós-moderna, realidade é aquilo que é falado, e o melhor caminho para ser falado é aparecer na mídia. É daí que veio a obsessão com fama e famosos. A mentalidade pós-moderna anseia por identidades fortes pois são um caminho para o poder.  Entretanto, a identidade genuína do indivíduo, aquela baseada nas habilidades cognitivas e na bagagem cultural do indivíduo, nem sempre é forte, e por essa razão foi abandonada. Na mentalidade pós-moderna, a identidade e definida pela ‘persona’ – “uma espécie de máscara, desenhada com o duplo motivo de conferir uma impressão firme junto aos demais, e ocultar a verdadeira natureza do indivíduo,” conforme mostrada pelo psiquiatra suíço Carl Jung.

Consequências ruins do pós-modernismo

No Zeitgeist da pós-modernidade a autenticidade saiu de moda e as pessoas preocupam-se mais com aparência do que com substância.

No Zeitgeist pós-moderno, a perda da genuinidade do indivíduo veio acompanhada da perda da espontaneidade dos processos sociais, e uma das consequências não intencionadas disso é a diminuição da confiança social, que por sua vez leva a dois erros de julgamento: valoriza quem não merece ser valorizado, e deixar de valorizar quem merece. Tais erros de julgamento equivalem a enormes perdas para a sociedade, em termos de capital humano desperdiçado.

O começo do mundo pós-moderno

O começo do mundo pós-moderno pode ser traçado à década de 1960, quando as fronteiras entre alta e baixa cultura foram esfumadas. Isso permitiu a emergência da Pop Art e o seu assentamento como uma forma de poder popular. Um de seus líderes, Andy Warhol (1928-1987), prognosticou que “no futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos”.

Um dos alvos importantes do pós-modernismo foi o conceito de identidade nacional, que foi esfumado e largado de lado, e substituído pelas novas tribos formadas por grupos de identidade política. Não contente em destruir a identidade nacional, o pós-modernismo destruiu também a identidade civilizacional da América Latina. Muitos latino-americanos tomam por certo que a América Latina faz parte da Civilização Ocidental, uma vez que todos os seus países foram colonizados por europeus. Poucos latinoamericanos notaram que o cientista político Samuel Huntington (1927-2008) optou por listar a América Latina como uma civilização aparte ao invés de incluí-la na Civilização Ocidental, no seu livro Clash of Civilizations (A colisão das civilizações; 1997). A justificativa de Huntington é de que a América Latina não preencheu os critérios a priori para afiliação ao Ocidente. Em termos de identidade nacional, os países latinoamericanos sofrem de uma neurótica dissonância cognitiva formada pelo desejo simultâneo de pertencer à Civilização Ocidental e às suas respectivas culturas indígenas.

Em todo o lugar onde o pós-modernismo se encontra, a sua entrada ocorreu de forma sorrateira. Na América Latina, alojou-se inicialmente nas universidades, principalmente nas humanidades e ciências sociais, e de lá passou para as organizações não governamentais (ONGs) e para os grupos de identidade política.

O socioconstrutivismo

O socioconstrutivismo passou a ser um fenômeno comum na América Latina a partir da década de 1980, quando heróis e heroínas foram artificialmente criados. O método do  socioconstrutivismo consiste de cinco etapas principais: (i) escolher causas simpáticas como a defesa de florestas, de animais, e de grupos oprimidos; (ii) a cooptar lideranças a partir de bases conhecidas; (iii) aumentar os perfis dessas lideranças, persuadindo jornalistas a publicar matérias sobre as mesmas; (iv) indicar as lideranças escolhidas para participar de organizações de doadores de recursos; e (v) indicar as lideranças escolhidas para prêmios disponíveis e fazer lobby a favor das mesmas junto às instituições premiadoras.

A escolha da causa requer cuidado e atenção. Por exemplo, no caso de uma ONG ligada à causa dos indígenas, as tribos mais coloridas e que ainda praticam suas danças e cerimônias são mais promissores que aquelas que são menos coloridas e mais aculturadas. Uma vez escolhida a causa, o próximo passo é escolher os indivíduos mais promissores em termos de aparência e maleabilidade para serem promovidos junto à mídia.

As maquinações de bastidores para construir lideranças e para atrair o interesse de jornalistas são aéticas, o que gera o perigo de whistle blowers ou denunciantes, que não aceitam que um objetivo nobre justifica mentiras e meias verdades. Entretanto, o socioconstrutivismo tem uma capa de proteção contra denunciantes, fazendo com que qualquer crítica à administração financeira da ONG ou às suas mentiras e meias verdades sejam percebidas como um ataque vil à própria causa, isto é, ao grupo oprimido, à floresta, ou ao animal carismático, fazendo com que o crítico seja taxado de racista e coisas piores.

Um dos poucos exemplos que chegou a ser noticiado na imprensa internacional foi a história da jovem guatemalteca Rigoberta Menchú, que foi transformada numa heroína de sua tribo e que em 1992 ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Entretanto, quando o antropólogo David Stoll decidiu avaliar o mérito de Menchú, descobriu que a sua narrativa do genocídio do seu povo, no início da década de 1980, no livro autobiográfico I, Rigoberta Menchú (Verso, 1984), estava repleto de inconsistências e até mentiras, e que o mesmo livro, editado com a ajuda de diversas pessoas, tinha uma agenda, de ajudar a guerrilha à qual Menchú havia se juntado em 1981. Stoll publicou os seus achados no livro Rigoberta Menchú and the Story of All Poor Guatemalans (1999), mas a verdade que expôs foi ignorada e ele próprio acabou taxado de inimigo dos indígenas.  O que aconteceu a David Stoll passou a desencorajar qualquer denúncia semelhante. Foi uma evidência da capa de proteção do sociocontrutivismo, análoga à dos vírus.

As pessoas ordinárias, que subentendem aquilo que é conhecido como o público, têm o dever de manter-se atentas ao que acontece a seu redor. A pergunta que devem fazer é “o socioconstrutivsmo é bom para quem?”

i) O socioconstrutivsmo é bom para os indivíduos oprimidos a quem defendem?

O paternalismo do sociocontrutivismo faz com que o indivíduo oprimido continue oprimido, pois tira-lhe as chances de ser ele próprio, e de crescer e amadurecer.

ii) O socioconstrutivsmo é bom para a sociedade?

 Mentiras e meias verdades corroem a confiança dentro da sociedade, gerando uma sociedade de baixa confiança, a qual é extremamente desfavorável ao desenvolvimento econômico.

iii) Quem ganha com o socioconstrutivsmo?

Quem ganha com o socioconstrutivismo são os próprios sócioconstrutivistas, que ganham os ouvidos das autoridades e espaços nos círculos do poder.

Conclusão

O pós-modernismo é o próprio marxismo com outra pele. Os dois empregam a mesma linguagem de ressentimento, raiva e inveja. Enquanto que o marxismo tradicional exaltava a destruição do capitalismo que ocorreria em decorrência da revolução socialista, o pós-modernismo (ou neomarxismo), planejou e fez a sua revolução na surdina. A revolução do pós-modernismo foi um sucesso e a prova disso é que a própria civilização Ocidental é a sua prisioneira. O Zeitgeist pós-moderno onde vivemos pode ser descrito pelo relativismo cultural, o aviltamento da sociedade maior através de sua fragmentação em grupos de identidade políticas, a falta de genuinidade e espontaneidade, e as fabricações. As suas armas mais potentes, o desconstrucionismo e o socioconstrutivismo, servem às suas lideranças, que fingem servir às mais diversas causas sociais. A sociedade não ganhou nada com o pós-modernismo, mas perdeu muita coisa, desde a genuinidade das pessoas e a própria espontaneidade, até a confiança entre os seus cidadãos.  O pós-modernismo é errado por diversos motivos, mas o principal deles é a falsidade.


Jo Pires-O’Brien é brasileira e reside na Inglaterra. Desde 2010 é editora da revista cultural PortVitoria, dedicada à cultura ibérica no mundo, com conteúdo em português, espanhol e inglês. Acessar: www.portvtoria.com

Como encontrar significado

Jo Pires-O’Brien

Resenha do livro 12 Rules for Life: An Antidote to Chaos (12 regras para a vida: um antídoto para o caos), de Jordan B. Peterson. Allen Lane, UK, 2018. 409 pp. ISBN 978-0-241-45163- 5.

Eu só ouvi falar de Jordan B. Peterson, o psicólogo canadense cujas aparições no YouTube são assistidas por milhares de pessoas de todo o mundo, ano início de junho deste ano, quando uma amiga me falou sobre um debate acerca do tema ‘politicamente correto’ no qual Jordan participou com Stephen Fry, um escritor e comediante britânico. Aprendi muito assistindo a esse debate no YouTube, inclusive o motivo pelo qual Peterson é descrito pelos jornalistas como o tipo de pessoa que as pessoas amam ou odeiam. Apesar de me situar logo de início entre os primeiros, eu ainda estava relutante em comprar o seu livro 12 Rules for Life: An Antidote to Chaos (12 regras para a vida: um antídoto para o caos) simplesmente porque o título me lembrava aqueles livros com a expressão “For Dummies” ou “para imbecis” no título. Eu mudei de ideia depois de assistir a uma discussão sobre o pós-modernismo que Peterson teve com Camille Paglia, uma mordaz autora e crítica social americana, publicado no YouTube em outubro do ano passado.

Este é o segundo livro de Jordan, o resultado de uma epifania que ele teve durante uma reunião brainstorming com um amigo e sócio no final de 2016, quando ele imaginou que a caneta lanterna-LED que seu amigo lhe presenteou como sendo uma “caneta de luz” “com a qual ele seria capaz de escrever palavras iluminadas na escuridão”.

Considerando-se que 12 Rules for Life, um livro de 409 páginas foi publicado na primeira parte de 2018, esse é um tempo extraordinário, mesmo para um gênio. A explicação está no primeiro livro de Jordan, Maps of Meaning: The Architecture of Belief (Mapas de significado: a arquitetura da crença),  publicado em 1999, “um livro muito denso” segundo as próprias palavras de Peterson, o qual levou 10 anos para ser escrito, e cujas ideias foram expandidas no 12 Rules. As 12 regras da vida são:

Regra 1. Fique de pé ereto e com os ombros para trás.

Regra 2. Cuide de si como cuida de alguém a quem você é responsável por ajudar.

Regra 3. Faça amizade com as pessoas que querem o melhor para você.

Regra 4. Compare-se com quem você foi ontem, não com outra pessoa de hoje.

Regra 5. Não permita que os seus filhos façam qualquer coisa que faça você desgostar deles.

Regra 6. Deixe a sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo.

Regra 7. Busque o que é significativo (não o que é conveniente).

Regra 8. Diga a verdade – ou, pelo menos, não minta.

Regra 9. Presuma que a pessoa que você está ouvindo possa saber algo que você não sabe.

Regra 10. Seja preciso na sua fala.

Regra 11. Não incomode as crianças quando elas estão fazendo skateboard.

Regra 12. Acarinhe um gato quando você encontrar um na rua.

Ao explicar a regra 1, “Fique de pé ereto e com os ombros para trás”, o autor mostra que essa é uma característica que evoluiu, associada ao status e à posição social, não apenas no homem, mas em outros animais, como as lagostas. O capítulo inteiro é uma lição de biologia sobre as hierarquias intraespecíficas do reino animal, que resultam da competição por recursos limitados. Existem substâncias químicas corporais específicas associadas à hierarquia das galinhas e à maneira como as aves canoras estabelecem a dominância. Embora a evidência biológica aponte a existência de hierarquias em humanos, admitir isso tornou-se politicamente incorreto. Talvez a noção de hierarquia humana tenha se tornado uma espécie de ‘monstro’ para indivíduos com uma determinada personalidade, o que provavelmente é o motivo pelo qual Peterson gosta de repetir que os monstros existem, afinal de contas. Mas faz sentido que as pessoas fiquem eretas quando estão bem, e se curvam quando não estão, mas a mensagem é que alguém pode se recompor e ficar eretas novamente. “Fique de pé ereto e   com os ombros para trás” é uma metáfora para aceitar as muitas responsabilidades da vida, mesmo as mais terríveis e difíceis. A aceitação da responsabilidade equivale a uma intenção de encontrar sentido na vida e respeitar a si mesmo. A brutal distribuição de recursos na palavra de hoje, onde um por cento da população tem até 50 por cento, é o que torna difícil aceitar a responsabilidade:

A maioria dos artigos científicos é publicada por um grupo muito pequeno de cientistas. Uma pequena proporção de músicos produz quase toda a música comercial gravada. Apenas um punhado de autores vendem todos os livros. Um milhão e meio de títulos de livros (!) são vendidos todos os anos nos EUA. No entanto, apenas quinhentos deles vendem mais de cem mil cópias. Da mesma forma, apenas quatro compositores clássicos (Bach, Beethoven, Mozart e Tchaikovsky) escreveram quase toda a música tocada pelas orquestras modernas. Bach, por sua vez, compôs de maneira tão prolífica que levaria décadas de trabalho apenas para copiar as suas partituras, mas apenas uma pequena fração dessa prodigiosa produção é comumente executada. O mesmo se aplica à produção dos outros três membros deste grupo de compositores hiperdominantes: apenas uma pequena fração de seus trabalhos é amplamente tocada. Assim, quase toda a música clássica que o mundo conhece e ama representa uma pequena fração da música composta por uma pequena fração de todos os compositores clássicos que já compuseram algo.

A situação acima é descrita por um gráfico em forma de ‘L’ conhecido como lei de Price, onde o eixo vertical representa o número de pessoas e o eixo horizontal representa a produtividade ou os recursos. É também é conhecido como ‘Princípio de Mateus’, devido a uma citação do Novo Testamento (Mateus 25:29), onde Cristo disse “àqueles que têm tudo, mais será dado; para aqueles que não têm nada; tudo será levado.” Esta citação vem da Parábola dos Talentos, onde Cristo reconhece que as pessoas não são iguais em termos de iniciativa e diligência. O principal ponto que Jordan  tenta mostrar é que as hierarquias são parte da vida. As hierarquias evoluíram durante longos períodos de tempo no reino animal, não apenas no homem. Da perspectiva darwiniana, o que importa é a permanência. A hierarquia social não é um conceito novo; já existe há meio bilhão de anos e é real e permanente. A natureza é o que ‘seleciona’, e algo selecionado é tanto mais permanente quanto mais antigo for. A natureza não é tão harmoniosa, equilibrada e perfeita como é imaginada pelas mentes românticas. Há muito mais neste capítulo, por exemplo, como o fato de que todo indivíduo tem dentro de si uma ideia de sua posição na sociedade. Os status baixo e alto são reais. Há ansiedade em ambas as realidades. Sem dúvida, isso é intragável para muitos, mas é a realidade. Agir com responsabilidade no mundo de hoje exige aceitar a realidade e trabalhar com ela. Finalmente, existem formas autodestrutivas e maneiras inteligentes de viver com responsabilidade: “Procure a sua inspiração na vitoriosa lagosta, com os seus 350 milhões de anos de sabedoria prática. Fique de pé ereto e com os ombros para trás.”

Eu fiquei particularmente atraída pela regra 9: “Presuma que a pessoa que você está ouvindo possa saber algo que você não sabe”. Nesta regra, Peterson explica a ciência das interações humanas, enfatizando a atenção e a conversação. Muitas das ideias que Peterson apresenta a respeito dessa regra vêm de sua prática como psicólogo clínico, a qual lhe deu uma grande amostra do isolamento moderno e seus efeitos colaterais secundários. Ele escreve:

As pessoas que eu escuto precisam conversar, porque é assim que as pessoas pensam. As pessoas precisam pensar. Caso contrário, eles vagam cegamente em dentro de fossas. Quando as pessoas pensam, elas simulam o mundo e planejam como agir nele. Se eles fizerem um bom trabalho de simulação, eles poderão descobrir quais as coisas idiotas eles não deveriam fazer. Então eles não irão fazê-las. Então eles não precisarão sofrer as consequências. Esse é o propósito de pensar. Mas não podemos fazer isso sozinhos. Simulamos o mundo e planejamos nossas ações nele. Somente os seres humanos fazem isso. Nós somos brilhantes nisso. Nós fazemos pequenos avatares de nós mesmos. Colocamos esses avatares em mundos fictícios. Então nós assistimos o que acontece. Se o nosso avatar prospera, então agimos como ele, no mundo real. Então nós prosperamos (é o que esperamos). Se o nosso avatar falhar, nós não vamos lá, se tivermos algum juízo. Nós o deixamos morrer no mundo fictício, para que não tenhamos que realmente morrer no mundo real.

A conversação é uma coisa fundamental na vida humana mas mesmo assim ainda não sabemos como conversar corretamente; a conversação é muitas vezes é dificultada por não ouvirmos corretamente ou por não sermos completamente honestos. Peterson chama de “posição de jóquei” a situação em uma conversa em que as pessoas pensam mais na resposta que querem dar do que no que está sendo dito. Uma boa conversa, do tipo em que as pessoas trocam opiniões entre si, está se tornando algo raro. A alternativa à conversação padrão envolvendo dois ou mais interlocutores é a reflexão, que envolve pensar com circunspecção e e profundidade. Podemos criar uma conversa em nossas mentes, refletindo profundamente e representando nosso ponto de vista e o de outra pessoa. A autocrítica frequentemente passa por reflexão, mas não é pois não tem o necessário diálogo. Como Peterson mostra, a conversação é uma ótima oportunidade para organizar pensamentos de forma eficaz e limpar as nossas mentes. Colocando de outra maneira, a conversação é a chave para uma boa saúde mental.

A simplicidade é uma característica de todas as 12 regras para a vida prescritas por Peterson. Essa simplicidade vem da visão da ponta de um iceberg de significado. Entretanto, é preciso esforço para entender por completo o iceberg de significado. Há muito significado por trás de cada uma dessas 12 regras de vida. Todas as 12 regras baseiam-se em descobertas científicas ou na sabedoria de narrativas antigas e seus arquétipos, ou em ambas as coisas. O significado, segundo Jordan, é a coisa mais importante que alguém poderia desejar na vida, pois nos permite encontrar o equilíbrio entre a ordem e o caos. Uma condição necessária para o significado é a verdade. Muitas pessoas são incapazes de aceitar o mundo como ele é, e em vez disso, preferem manter a ideia de como o mundo deveria ser. Esse é o tipo de pessoa que odeia Jordan e tenta difamá-lo.

O livro 12 Rules for Life de Jordan B. Peterson situa-se no topo da lista dos livros de autoajuda e a razão para isso é a clareza com que o autor retrata os problemas da vida e as formas como as pessoas lidam com eles, o que, por sua vez, se deve ao fato de que Jordan é um intelectual público e um psicólogo de classe mundial, bem como um indivíduo que já experimentou uma boa dose de problemas em sua própria vida. O livro de Peterson oferece maneiras inteligentes de lidar com os problemas da vida moderna, do isolamento social e abuso de álcool ou substâncias químicas, ao niilismo e à incapacidade de aceitar a verdade sobre o mundo; podemos incluir nesta lista uma gama de distúrbios mentais que vão da ansiedade à depressão. Significado, e  não felicidade, é o objetivo dessas 12 regras. Felicidade é um termo que deriva de ‘feliz’, mas ‘feliz’ não é sinônimo de ‘bom’. Bom inclui uma série de coisas como autorrespeito e a ‘Regra de Ouro’ em relação ao tratamento das outras pessoas; aquilo que nos permite viver nossas vidas com integridade e com esperança de melhorias é  ‘bom’, enquanto o oposto disso é ‘inferno’. Somente através de significado podemos escapar do ‘inferno’ e ter coragem necessária para enfrentar as tragédias da vida.

                                                                                                                                       

Jo Pires-O’Brien é tradutora, ensaísta e ex-botânica e bióloga brasileira, residente na Inglaterra. O seu livro de ensaios O homem razoável (2016) foi também publicado em espanhol e encontra-se disponível na Amazon em edições brochura e Kindle. Em 2010 ela criou a revista digital PortVitoria, voltada para cultura ibérica no mundo, em inglês, português e espanhol.

Nota. O livro de Jordan Peterson 12 Rules for Life: An Antidote to Chaos está para ser lançado em português pela Alta Books Editora, como  “12 regras para a vida: um antídoto para o caos”.

Jaron Lanier e a máquina Bummer de fazer cabeças

Jo Pires-O’Brien

Um tecnólogo de informação americano chamado Jaron Lanier é também autor de diversos livros de crítica da Idade Digital, como You are not a Gadget: A manifesto (Você não é um gadget: Um Manifesto; 2010), Who Owns the Future? (Quem é dono do futuro?; 2013), Dawn of the New Everything: A Journey Through Virtual Reality (O nascer do novo tudo: uma jornada através da realidade virtual; 2017). Lanier acaba de publicar seu quarto livro, intitulado Ten Arguments For Deleting Your Social Media Accounts Right Now (Dez argumentos para deletar já as suas contas de mídia social; 2018), no qual denuncia o Vale do Silício de um modo geral, e o FaceBook, em particular, como uma verdadeiras máquinas de fazer cabeças.

Lanier batizou a máquina de fazer cabeças de ‘Bummer’, um acrônimo da frase “Comportamento de Terceiros, Modificado e Transformado num Império para Alugar” (do inglês  “Behaviour of Others, Modified, and Made into an Empire for Rent”).

O texto abaixo foi extraído da matéria de Danny Fortson publicada na The Sunday Times Magazine, de 19.05.2018, acerca do novo livro de Lanier Ten Arguments For Deleting Your Social Media Accounts Right Now:

 

No coração de sua preocupação está o acoplamento do smartphone, um supercomputador sempre ligado, e dispositivo de rastreamento, e propaganda, que foi completamente transformado de um aborrecimento periódico que se materializaria em lugares definidos – durante o seu programa de televisão favorito, em um outdoor, em uma revista – em outra coisa completamente. “Todo mundo que está na mídia social está recebendo estímulos individualizados e continuamente ajustados, sem interrupção, desde que usem seus smartphones”, ele escreve. “O que poderia ter sido chamado de publicidade agora deve ser entendido como modificação contínua de comportamento em uma escala titânica.”

Ainda mais alarmante: a máquina Bummer está ficando mais forte a cada dia, porque aquilo que os algoritmos precisam mais do que tudo, são dados e comportamentos para analisar. … Quanto mais matéria-prima os algoritmos têm para trabalhar, mais eficazes eles se tornam. Daí o pedido de Lanier para a exclusão em massa: “O arco da história se inverteu com a chegada da máquina Bummer”, diz ele. “Parar é a única maneira, por enquanto, de aprender o que pode substituir nosso grande erro.”

O argumento é o seguinte: os algoritmos são otimizados para criar engajamento e funcionam extremamente bem. O milênio médio verifica seu telefone 150 vezes por dia. É tipicamente a primeira coisa que eles fazem quando se levantam e a última coisa antes de irem dormir. Mais de 2 bilhões de pessoas estão no Facebook, aproximadamente o mesmo número de seguidores do cristianismo.

O resultado é que a sociedade “escureceu alguns tons”, argumenta Lanier. “Se você não vê os anúncios obscuros, os queixosos do ambiente, os memes frios que alguém vê, essa pessoa vai parecer louca. E esse é o nosso novo mundo Bummer. Parecemos loucos um ao outro porque Bummer está nos roubando as teorias da maioria das mentes uns dos outros.”

A nossa solução é ser como um gato, isto é, ser imune à instrução ou controle. Abandonar a mídia social é a maneira mais objetiva de resistir à insanidade de nossos tempos.

Aqui estão os 10 motivos de Lanier por que as pessoas devem excluir suas contas de mídia social:

  1. Você está perdendo seu livre arbítrio;
  2. Abandonar as mídias sociais é a maneira mais objetiva de resistir à insanidade de nossos tempos;
  3. As mídias sociais estão transformando você em um idiota;
  4. As mídias sociais estão minando a verdade;
  5. As mídias sociais estão fazendo o que você diz sem sentido;
  6. As mídias sociais estão destruindo a sua capacidade de empatia;
  7. As mídias sociais estão deixando você infeliz;
  8. As mídias sociais não querem que você tenha dignidade econômica;
  9. As mídias sociais estão tornando a política impossível;
  10. As mídias sociais odeiam a sua alma;

O texto acima foi tirado da entrevista de Danny Fortson a Jaron Lanier, publicada no The Sunday Times Magazine, 19.05.2018, sobre o recente livro de Lanier Ten Arguments For Deleting Your Social Media Accounts Right Now


Jo Pires-O’Brien é editora da revista PortVitoria.